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Valeriana: Benefícios, Como Usar e Contraindicações

A valeriana é provavelmente o sedativo natural mais conhecido e mais estudado do mundo. De facto, a humanidade utiliza a raiz de valeriana há mais de 2.000 anos para melhorar o sono e acalmar o sistema nervoso. Consequentemente, é hoje uma das plantas medicinais mais vendidas em farmácias e ervanários de todo o mundo — especialmente nos países europeus.

Para além disso, ao contrário de muitos sedativos convencionais que causam dependência e sonolência residual, a valeriana produz um efeito calmante suave e natural. De facto, o seu nome deriva do latim valere — que significa literalmente “estar bem”. Neste sentido, os médicos medievais que nomearam esta planta escolheram um nome que descreve diretamente o seu benefício principal. Consequentemente, a valeriana é uma das poucas plantas medicinais cujo nome é simultaneamente uma promessa e uma descrição. Para além disso, este nome latino tornou-se na base do nome em praticamente todas as línguas europeias — do inglês valerian ao português valeriana. Do mesmo modo, ao contrário de muitos nomes botânicos complexos e difíceis de pronunciar, o nome valeriana é simples, elegante e memorável. Assim sendo, é provavelmente um dos nomes medicinais mais bem escolhidos de toda a história da fitoterapia europeia.

Neste artigo encontras tudo o que precisas de saber sobre a valeriana: os seus principais benefícios, os compostos ativos, como preparar o chá, as doses recomendadas, as contraindicações e as fontes científicas. Para informação sobre plantas medicinais complementares para o sono e a ansiedade, consulta o nosso artigo sobre a passiflora e a erva-cidreira.


flor de Valeriana

⚠️ Aviso: Este artigo tem fins exclusivamente informativos e, por isso, não substitui o aconselhamento de um médico ou nutricionista qualificado. Assim sendo, consulta sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação com plantas medicinais, especialmente se tomares medicação ou tiveres condições de saúde pré-existentes.


O que é a valeriana e qual a sua classificação botânica

A valeriana (Valeriana officinalis) é uma planta herbácea perene da família das caprifoliáceas. Neste sentido, é uma planta imponente que pode atingir até 1,5 metros de altura — produzindo flores brancas e rosadas muito aromáticas durante o verão. Consequentemente, é simultaneamente uma planta medicinal e ornamental muito apreciada nos jardins europeus.

Do ponto de vista botânico, a valeriana é nativa da Europa e da Ásia. De facto, os herbalistas europeus cultivam-na há séculos em jardins de ervas medicinais. Neste sentido, a paciência é essencial no cultivo da valeriana — dado que a raiz necessita de dois a três anos para atingir a maturidade medicinal e a concentração adequada de compostos ativos. Consequentemente, as raízes colhidas prematuramente têm muito menos eficácia do que as raízes maduras. Além disso, a valeriana prefere solos húmidos e bem drenados com sol parcial. Para além disso, esta preferência por solos húmidos explica porque a valeriana cresce naturalmente perto de ribeiros e zonas húmidas na Europa. Do mesmo modo, adapta-se muito bem ao clima português — especialmente nas regiões mais húmidas do norte do país. Assim sendo, o Minho e Trás-os-Montes reúnem as condições ideais para cultivar valeriana de alta qualidade em Portugal.

Como cultivar valeriana em casa

A valeriana é uma planta relativamente fácil de cultivar. De facto, podes começar a partir de sementes ou dividindo as raízes de uma planta já estabelecida. Neste sentido, a divisão de raízes é geralmente a forma mais rápida — dado que as sementes demoram mais tempo a germinar. Consequentemente, podes pedir uma divisão de raiz a um amigo ou comprar uma planta jovem num viveiro. Para além disso, a melhor altura para colher as raízes é na primavera ou no início do outono.

Do mesmo modo, após a colheita, seca as raízes ao ar livre num local bem ventilado durante 2 a 3 semanas. Além disso, guarda-as em frascos de vidro hermeticamente fechados num local fresco e escuro. Assim sendo, as raízes bem secas mantêm as suas propriedades medicinais durante 12 a 18 meses.


Compostos ativos da valeriana

A valeriana deve os seus benefícios a uma composição fitoquímica muito específica. De facto, os investigadores identificaram vários grupos de compostos bioativos responsáveis pelas suas propriedades sedativas e ansiolíticas.

Composto ativoPrincipal ação
Ácido valerânicoSedativo, ansiolítico, relaxante muscular
Isovalerato de borniloSedativo, antiespasmódico
ValepotriatosSedativo, ansiolítico
FlavonoidesAnsiolítico, antioxidante
LignanasSedativo suave
Ácido glutâmicoPrecursor do GABA — neurotransmissor calmante

💡 Nota: O ácido valerânico é o composto mais importante e mais estudado da valeriana. Consequentemente, ao escolheres um suplemento de valeriana, verifica sempre a percentagem de ácido valerânico na embalagem — os produtos de qualidade devem ter pelo menos 0,8% de ácido valerânico. Além disso, a raiz fresca tem um aroma mais suave do que a raiz seca — dado que a secagem transforma alguns compostos e intensifica o cheiro característico.


Benefícios da valeriana comprovados pela ciência

1. Melhora a qualidade do sonoA valeriana é provavelmente o remédio natural mais eficaz para melhorar a qualidade do sono. De facto, o ácido valerânico inibe a degradação do GABA no cérebro — aumentando assim os níveis deste neurotransmissor calmante. Neste sentido, este mecanismo é semelhante ao dos medicamentos benzodiazepínicos — mas sem os efeitos secundários de dependência. Consequentemente, vários estudos clínicos confirmaram que a valeriana reduz o tempo necessário para adormecer. Além disso, os investigadores documentaram melhorias significativas na qualidade subjetiva do sono.

Para além disso, ao contrário dos medicamentos para dormir convencionais, a valeriana não suprime o sono REM — a fase mais importante para a recuperação cognitiva e emocional. Neste sentido, preservar o sono REM é fundamental — dado que é durante esta fase que o cérebro processa as emoções e consolida a memória. Do mesmo modo, a valeriana não causa sonolência residual na manhã seguinte quando tomada nas doses recomendadas. Assim sendo, é especialmente adequada para pessoas com insónia ligeira a moderada que querem evitar os efeitos secundários dos medicamentos convencionais.

2. Reduz a ansiedade e o stress

A valeriana tem propriedades ansiolíticas comprovadas que a tornam especialmente eficaz para a ansiedade ligeira a moderada. De facto, os valepotriatos e o ácido valerânico atuam sobre os recetores GABA-A do cérebro. Neste sentido, ativam os mesmos recetores que os ansiolíticos benzodiazepínicos — mas sem causar dependência. Consequentemente, ao aumentar a atividade do GABA, a valeriana produz um efeito calmante natural. Para além disso, é especialmente útil para ansiedade generalizada, stress crónico e nervosismo associado a situações pontuais como exames ou apresentações profissionais.

Para além disso, a valeriana estimula o sistema nervoso parassimpático — o sistema responsável pelo estado de “descanso e digestão”. Neste sentido, ao ativar este sistema, o organismo reduz a frequência cardíaca e relaxa os músculos. Consequentemente, prepara-se naturalmente para o descanso sem necessidade de medicação. Do mesmo modo, este efeito parassimpático é especialmente valioso para pessoas que sofrem de ansiedade com manifestações físicas. Assim sendo, palpitações, tensão muscular e dificuldade em relaxar respondem muito bem à valeriana.

3. Alivia as cólicas menstruais

A valeriana tem propriedades antiespasmódicas que a tornam especialmente eficaz para aliviar as cólicas menstruais. De facto, o isovalerato de bornilo relaxa os músculos lisos do útero — reduzindo os espasmos que causam a dor menstrual. Neste sentido, um estudo clínico demonstrou que a valeriana é tão eficaz como o ibuprofeno para reduzir a intensidade das cólicas menstruais. Consequentemente, é uma das alternativas naturais mais bem documentadas para a dismenorreia.

Para além disso, ao combinar propriedades antiespasmódicas com propriedades ansiolíticas, a valeriana trata simultaneamente a dor física e o desconforto emocional associados ao período menstrual. Neste sentido, esta dupla ação distingue a valeriana da maioria dos analgésicos convencionais — que tratam apenas a dor física sem abordar o componente emocional. Consequentemente, mulheres que sofrem de síndrome pré-menstrual com componente emocional significativo encontram na valeriana uma das opções naturais mais completas disponíveis. De facto, poucos remédios naturais conseguem atuar simultaneamente sobre a dor física e a ansiedade emocional do período menstrual. Do mesmo modo, a combinação de valeriana com erva-cidreira é especialmente eficaz para as cólicas menstruais associadas a stress e ansiedade. Assim sendo, experimenta esta combinação 2 a 3 dias antes do início do período para um efeito preventivo mais eficaz.

4. Apoia o tratamento da síndrome das pernas inquietas

A valeriana tem propriedades que podem ser úteis para a síndrome das pernas inquietas — uma condição neurológica que causa sensações desconfortáveis nas pernas durante o repouso. De facto, estudos preliminares demonstraram que a valeriana reduz significativamente os sintomas desta condição. Neste sentido, o seu mecanismo de ação sobre os recetores GABA pode explicar este benefício — dado que o GABA tem um papel importante na regulação dos movimentos involuntários. Consequentemente, é especialmente útil para pessoas que sofrem de síndrome das pernas inquietas associada a insónia.

5. Tem propriedades antiespasmódicas para a digestão

A valeriana tem propriedades carminativas e antiespasmódicas que melhoram o funcionamento do sistema digestivo. De facto, ao relaxar os músculos lisos do trato digestivo, alivia os espasmos intestinais que causam cólicas e desconforto abdominal. Neste sentido, é especialmente útil para pessoas que sofrem de síndrome do intestino irritável com componente nervoso — dado que atua simultaneamente sobre o sistema nervoso e o sistema digestivo. Consequentemente, a valeriana é especialmente indicada para pessoas que sofrem de “barriga nervosa” — tal como a erva-cidreira e a camomila.


História da valeriana — de Hipócrates ao mundo moderno

A valeriana tem uma história medicinal fascinante que atravessa mais de 2.000 anos de medicina europeia e asiática.

Hipócrates e os médicos da antiguidade

Os primeiros registos documentados do uso medicinal da valeriana remontam à Grécia Antiga. De facto, Hipócrates — o pai da medicina — identificou e documentou a valeriana como um carminativo e como um remédio para as náuseas. Neste sentido, o facto de Hipócrates ter documentado a valeriana confere-lhe uma credibilidade histórica excecional — dado que os seus textos são a base de toda a medicina ocidental. Consequentemente, a valeriana é uma das plantas medicinais com maior legitimidade histórica disponíveis.

Para além disso, imperadores e figuras históricas importantes incorporavam a valeriana nas suas rotinas diárias de bem-estar. Neste sentido, este uso por parte das elites da antiguidade demonstra que a valeriana era considerada um remédio precioso e eficaz — não apenas um remédio popular.

Consequentemente, a valeriana tinha prestígio tanto na medicina popular como na medicina oficial das grandes civilizações antigas. De facto, o médico romano Galeno — que viveu no século II d.C. — prescrevia a valeriana para a insónia e a ansiedade aos seus pacientes mais ilustres. Para além disso, Galeno é considerado o médico mais influente da antiguidade após Hipócrates — o que confere à valeriana uma credibilidade histórica excecional. Do mesmo modo, os textos de Galeno sobre a valeriana foram estudados e seguidos pelos médicos europeus durante mais de 1.500 anos. Assim sendo, a valeriana tem uma história de uso médico documentado por algumas das figuras mais importantes da história da medicina ocidental.

A origem do nome — valere

O nome “valeriana” tem uma origem latina muito reveladora. De facto, deriva do verbo latino valere — que significa “estar bem” ou “ter saúde”. Neste sentido, os médicos medievais que nomearam esta planta escolheram um nome que descreve diretamente o seu efeito principal. Consequentemente, a valeriana é uma das poucas plantas medicinais cujo nome é simultaneamente uma descrição do seu benefício principal. Além disso, esta clareza semântica é notável — dado que a maioria dos nomes botânicos homenageia cientistas ou regiões geográficas em vez de descrever os benefícios da planta.

Para além disso, este nome latino tornou-se na base do nome em praticamente todas as línguas europeias — do inglês valerian ao português valeriana. Neste sentido, poucos nomes medicinais atravessaram tantas línguas e culturas com tão pouca alteração. Do mesmo modo, esta consistência linguística ao longo de séculos demonstra a importância que os europeus sempre atribuíram a esta planta. Assim sendo, é um dos nomes medicinais mais consistentes e bem preservados da história da fitoterapia europeia.

A valeriana na Segunda Guerra Mundial

Um dos capítulos mais fascinantes da história da valeriana ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. De facto, os médicos militares britânicos prescreviam valeriana às populações civis para combater o stress e a ansiedade causados pelos bombardeamentos alemães. Neste sentido, a valeriana tornou-se num dos remédios naturais mais utilizados na Grã-Bretanha durante a guerra. Consequentemente, a sua popularidade cresceu enormemente neste período — consolidando a sua posição como o sedativo natural mais conhecido do mundo ocidental.


Como usar a valeriana — 3 receitas

1. Chá de valeriana simples — para o sono

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de raiz de valeriana seca e picada
  • 250 ml de água

Modo de preparação: Ferver a água e apagar o fogo imediatamente. De seguida, adicionar a raiz de valeriana e tapar o recipiente. Neste sentido, tapar é absolutamente essencial — dado que os compostos voláteis da valeriana evaporam rapidamente se o recipiente ficar aberto. Além disso, deixar repousar 10 a 15 minutos para uma infusão completa. Por fim, coar e beber morno 30 minutos antes de deitar. Consequentemente, este intervalo de 30 minutos permite que os compostos ativos entrem na corrente sanguínea e comecem a atuar precisamente quando te deitas. Assim sendo, esta é a forma mais eficaz de maximizar os benefícios da valeriana para o sono..

💡 Dica: A raiz de valeriana tem um sabor terroso e intenso que muitas pessoas consideram desagradável. Consequentemente, podes adicionar mel e algumas gotas de sumo de limão para melhorar o sabor sem reduzir a eficácia.

2. Chá de valeriana com passiflora — para a insónia

Esta é a combinação mais eficaz para a insónia, dado que a passiflora e a valeriana têm mecanismos de ação complementares que se potenciam mutuamente.

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de raiz de valeriana seca
  • 1 colher de chá de passiflora seca
  • 250 ml de água
  • Mel a gosto

Modo de preparação: Ferver a água e apagar o fogo imediatamente. De seguida, adicionar a valeriana e a passiflora em simultâneo e tapar o recipiente. Neste sentido, adicionar as duas plantas ao mesmo tempo garante que os compostos ativos de ambas se libertam de forma equilibrada durante a infusão. Além disso, deixar repousar 15 minutos — ligeiramente mais do que o chá simples de valeriana — dado que a passiflora beneficia de uma infusão mais longa. Por fim, coar e deixar arrefecer ligeiramente antes de adicionar o mel. Consequentemente, dado que o mel perde as suas propriedades quando aquecido acima de 40°C, adiciona-o sempre depois de a bebida ter arrefecido um pouco. Assim sendo, bebe morno 30 a 45 minutos antes de deitar para um efeito indutor do sono máximo.

3. Chá de valeriana com erva-cidreira — para a ansiedade e as cólicas

Esta combinação é especialmente eficaz para a ansiedade e as cólicas menstruais, dado que a erva-cidreira complementa as propriedades antiespasmódicas e ansiolíticas da valeriana.

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de raiz de valeriana seca
  • 1 colher de chá de erva-cidreira seca
  • 250 ml de água

Modo de preparação: Ferver a água e apagar o fogo imediatamente. De seguida, adicionar a valeriana e a erva-cidreira em simultâneo e tapar o recipiente. Neste sentido, a erva-cidreira complementa a valeriana de duas formas — suaviza o sabor terroso da valeriana e potencia o seu efeito antiespasmódico. Além disso, deixar repousar 15 minutos para que os compostos ativos de ambas as plantas se libertem completamente. Consequentemente, uma infusão mais longa extrai mais compostos ativos da raiz de valeriana — tornando o chá mais eficaz. Por fim, coar e beber morno. De facto, podes beber este chá tanto para a ansiedade diurna como para as cólicas menstruais — ajustando apenas a dose. Assim sendo, é uma das combinações medicinais mais versáteis e agradáveis disponíveis.


Contraindicações da valeriana — quem não deve usarApesar dos seus inúmeros benefícios, a valeriana não é adequada para toda a gente. Por isso, é essencial conhecer as contraindicações antes de iniciar o consumo regular. Neste sentido, a principal preocupação é a interação com outros sedativos e medicamentos para o sistema nervoso central. De facto, é precisamente por ser tão eficaz sobre o sistema nervoso que pode ser perigosa em combinação com outros depressores do sistema nervoso central.

A valeriana não deve ser combinada com medicamentos sedativos, ansiolíticos ou antidepressivos sem orientação médica. Neste sentido, a combinação pode potenciar o efeito sedativo de ambos — causando sonolência excessiva. Consequentemente, quem toma benzodiazepinas, antidepressivos ou outros medicamentos para o sistema nervoso deve consultar sempre um médico antes de usar valeriana. Para além disso, nunca uses valeriana antes de conduzir ou operar maquinaria — dado que as suas propriedades sedativas podem comprometer os reflexos.

Por outro lado, grávidas e mulheres a amamentar devem evitar a valeriana. De facto, embora os investigadores não tenham estabelecido definitivamente a segurança da valeriana durante a gravidez, o princípio da precaução aconselha a evitar o seu uso. Consequentemente, grávidas com insónia ou ansiedade devem optar por alternativas mais seguras como a camomila ou a erva-cidreira. Do mesmo modo, crianças com menos de 12 anos não devem usar valeriana sem orientação pediátrica. Assim sendo, em caso de dúvida, consulta sempre um profissional de saúde.


Possíveis efeitos secundários da valeriana

Quando consumida nas doses recomendadas, a valeriana é segura para a maioria das pessoas. No entanto, algumas pessoas podem experienciar efeitos secundários mesmo com doses normais. Neste sentido, os mais comuns incluem dores de cabeça, sonolência excessiva, tonturas e desconforto gastrointestinal. De facto, estes efeitos ocorrem geralmente nas primeiras utilizações e tendem a diminuir com o uso regular. Consequentemente, começa sempre com doses pequenas e aumenta gradualmente, observando a reação do teu organismo.

Para além disso, um efeito paradoxal curioso ocorre em algumas pessoas — o aumento da agitação em vez do relaxamento. Neste sentido, os investigadores acreditam que este efeito paradoxal se deve a diferenças individuais na forma como o organismo metaboliza os valepotriatos. Consequentemente, se sentires agitação após tomar valeriana, interrompe o consumo imediatamente. Do mesmo modo, algumas pessoas sentem sonolência residual na manhã seguinte — especialmente quando tomam doses elevadas. Assim sendo, nunca aumentes a dose sem primeiro avaliar como o teu organismo reage à dose mais baixa.


Perguntas frequentes sobre a valeriana

Para que serve a valeriana?

A valeriana serve principalmente para melhorar o sono, reduzir a ansiedade, aliviar as cólicas menstruais e apoiar o sistema digestivo. De facto, é uma das plantas medicinais com maior evidência científica para o apoio do sistema nervoso. Neste sentido, poucas plantas medicinais conseguem atuar simultaneamente sobre o sono, a ansiedade e a dor — tornando a valeriana numa das opções naturais mais completas disponíveis. Consequentemente, é especialmente útil para pessoas com insónia ligeira a moderada, ansiedade generalizada ou cólicas menstruais recorrentes. Para além disso, ao contrário de muitas plantas medicinais especializadas num único benefício, a valeriana oferece um suporte global ao sistema nervoso. Do mesmo modo, a sua longa história de uso documentado — desde Hipócrates até aos dias de hoje — reforça a confiança na sua eficácia e segurança. Assim sendo, é uma das primeiras plantas medicinais a considerar para quem quer apoiar o sistema nervoso de forma natural.

A valeriana causa dependência?

Não — ao contrário dos medicamentos sedativos convencionais, a valeriana não causa dependência física. De facto, os investigadores não identificaram casos de dependência com o uso regular de valeriana nas doses recomendadas. Neste sentido, esta ausência de dependência é uma das vantagens mais importantes da valeriana face aos sedativos convencionais. Consequentemente, podes usar a valeriana regularmente sem o risco de precisares de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito. Para além disso, ao contrário das benzodiazepinas, a valeriana não causa síndrome de abstinência quando interrompes o consumo. Do mesmo modo, não compromete as capacidades cognitivas nem causa amnésia — dois efeitos secundários comuns dos sedativos convencionais. No entanto, é sempre aconselhável fazer pausas periódicas de 2 a 4 semanas após cada 6 a 8 semanas de uso regular. Assim sendo, um uso consciente e moderado é sempre a melhor abordagem.

Quando devo tomar a valeriana?

A valeriana deve ser tomada 30 a 45 minutos antes de dormir para melhorar o sono. De facto, este intervalo permite que os compostos ativos sejam absorvidos e comecem a atuar precisamente quando te deitas. Neste sentido, para a ansiedade diurna, podes tomar doses mais baixas ao longo do dia — dado que nestas doses não causa sonolência significativa.

Posso combinar valeriana com passiflora?

Sim, a combinação de valeriana com passiflora é uma das mais eficazes para a insónia. De facto, as duas plantas têm mecanismos de ação diferentes que se potenciam mutuamente. Consequentemente, esta combinação é mais eficaz do que qualquer planta individualmente — especialmente para insónia associada a pensamentos intrusivos e ansiedade noturna.

A valeriana é segura para uso prolongado?

A valeriana é geralmente considerada segura para uso de curta a média duração. De facto, a maioria dos estudos clínicos avaliou o uso durante 4 a 6 semanas sem identificar problemas de segurança significativos. Consequentemente, para uso mais prolongado, é sempre aconselhável consultar um médico e fazer pausas periódicas de 2 a 4 semanas após cada 6 a 8 semanas de uso regular.

Qual é a diferença entre valeriana e passiflora?

A valeriana atua principalmente através do sistema GABA — aumentando os níveis deste neurotransmissor calmante. Neste sentido, este mecanismo produz um efeito sedativo direto — facilitando o adormecer e melhorando a qualidade do sono profundo. Por outro lado, a passiflora atua principalmente inibindo a recaptação da serotonina — melhorando o humor e reduzindo a ansiedade. Consequentemente, as duas plantas complementam-se perfeitamente — dado que atuam sobre sistemas diferentes do sistema nervoso central.

Para além disso, esta complementaridade de mecanismos explica porque a combinação das duas plantas é mais eficaz do que qualquer uma individualmente. De facto, enquanto a valeriana facilita o adormecer, a passiflora reduz a ansiedade e os pensamentos intrusivos que impedem o sono. Do mesmo modo, os investigadores confirmaram esta sinergia em vários estudos clínicos. Assim sendo, a combinação das duas é especialmente eficaz para insónia com componente ansioso.


Fontes científicas e referências

Valeriana e sono

Bent, S., et al. (2006). Valerian for sleep: a systematic review and meta-analysis. American Journal of Medicine, 119(12), 1005–1012. Nesta meta-análise, os autores analisaram 16 estudos clínicos sobre a valeriana para o sono. Consequentemente, os investigadores confirmaram que a valeriana melhora a qualidade subjetiva do sono sem produzir efeitos secundários significativos.

Valeriana e ansiedade

Andreatini, R., et al. (2002). Effect of valepotriates on the cognitive and psychomotor performance of healthy volunteers. Phytotherapy Research, 16(1), 23–29. Neste ensaio clínico, os autores demonstraram que os valepotriatos da valeriana têm propriedades ansiolíticas comprovadas sem comprometer as capacidades cognitivas. Para além disso, os resultados confirmaram que a valeriana não causa dependência nas doses terapêuticas habituais.

Valeriana e cólicas menstruais

Mirabi, P., et al. (2011). Effects of valerian on the severity and systemic manifestations of dysmenorrhea. International Journal of Gynecology & Obstetrics, 115(3), 285–288. Neste ensaio clínico, os autores demonstraram que a valeriana reduz significativamente a intensidade das cólicas menstruais. Consequentemente, os investigadores identificaram a valeriana como uma alternativa natural eficaz aos anti-inflamatórios convencionais para a dismenorreia.

Valeriana e síndrome das pernas inquietas

Cuellar, N. G., & Ratcliffe, S. J. (2009). Does valerian improve sleepiness and symptom severity in people with restless legs syndrome? Alternative Therapies in Health and Medicine, 15(2), 22–28. Neste estudo, os autores demonstraram que a valeriana reduz significativamente os sintomas da síndrome das pernas inquietas. Para além disso, os resultados confirmaram uma melhoria significativa na qualidade do sono dos participantes.

Valeriana e mecanismo de ação

Yuan, C. S., et al. (2004). The gamma-aminobutyric acidergic effects of valerian and valerenic acid on rat brainstem neuronal activity. Anesthesia & Analgesia, 98(2), 353–358. Neste estudo, os autores documentaram em detalhe o mecanismo de ação da valeriana sobre os recetores GABA do cérebro. Consequentemente, este estudo é a base científica para compreender porque a valeriana produz efeitos sedativos e ansiolíticos semelhantes aos das benzodiazepinas mas sem os seus efeitos secundários.


📚 Nota editorial: As referências acima provêm de estudos científicos que passaram por revisão de pares e que investigadores publicaram em revistas indexadas. Alguns estudos foram realizados em populações específicas e os resultados podem variar consoante o indivíduo. Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico profissional.


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