O alcaçuz é muito mais do que um simples doce — é uma das plantas medicinais mais antigas e mais respeitadas do mundo. De facto, a humanidade utiliza a raiz de alcaçuz há mais de 5.000 anos, em civilizações tão distintas como a chinesa, a indiana, a egípcia e a babilónica. Consequentemente, é uma das plantas medicinais com maior historial de uso documentado da história da humanidade.
Para além disso, ao contrário de muitas plantas medicinais com sabor desagradável, o alcaçuz tem um sabor naturalmente doce e agradável. De facto, a glicirrizina — um dos seus principais compostos ativos — é 50 vezes mais doce do que o açúcar. Neste sentido, esta doçura natural explica porque o alcaçuz se tornou também num ingrediente popular em doces e confeitaria em todo o mundo. Consequentemente, é uma das poucas plantas medicinais que as crianças aceitam facilmente — dado que o seu sabor é genuinamente agradável. Para além disso, esta doçura natural torna o chá de alcaçuz especialmente apreciado para adoçar outras infusões medicinais com sabor mais amargo. Assim sendo, o alcaçuz é simultaneamente um remédio medicinal e um aromatizante natural muito versátil.
Neste artigo encontras tudo o que precisas de saber sobre o alcaçuz: os seus principais benefícios, os compostos ativos, como preparar o chá, a diferença entre alcaçuz normal e DGL, as contraindicações e as fontes científicas. Para informação sobre outras plantas medicinais para o sistema digestivo, consulta o nosso artigo sobre as 13 plantas medicinais e os seus benefícios.

⚠️ Aviso: Este artigo tem fins exclusivamente informativos e, por isso, não substitui o aconselhamento de um médico ou nutricionista qualificado. Assim sendo, consulta sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação com plantas medicinais, especialmente se tomares medicação ou tiveres condições de saúde pré-existentes.
O que é o alcaçuz e qual a sua classificação botânica
O alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) é uma planta perene da família das fabáceas — a mesma família das ervilhas e dos feijões. Neste sentido, o seu nome botânico é especialmente revelador — Glycyrrhiza deriva do grego glukurrhiza, que significa literalmente “raiz doce”. Consequentemente, desde os gregos antigos que o alcaçuz é reconhecido pela sua doçura característica.
Do ponto de vista botânico, o alcaçuz é uma planta que pode atingir até dois metros de altura. De facto, tem flores de cor lilás pálida, folhas pinadas e um sistema radicular muito elaborado. Neste sentido, é precisamente este sistema radicular profundo e extenso que contém a maior concentração de compostos ativos medicinais. Além disso, é nativo de partes da Ásia Oriental, Central e Ocidental e da região mediterrânica. Consequentemente, cresce especialmente bem perto das margens dos rios e em várzeas de pastagens secas. Para além disso, esta preferência por solos húmidos e férteis explica porque as maiores plantações de alcaçuz se encontram nas regiões fluviais do Irão, da Turquia e da China. Assim sendo, a maior parte do alcaçuz disponível nos mercados europeus provém destas regiões.
A parte medicinal — a raiz
A raiz é a parte medicinal mais importante do alcaçuz. De facto, os produtores aguardam cinco a seis anos antes de a colher — dado que é necessário este tempo para que a raiz desenvolva a concentração adequada de compostos ativos. Neste sentido, esta espera longa torna o alcaçuz num produto naturalmente mais caro do que a maioria das plantas medicinais. Consequentemente, preços muito baixos podem indicar raízes colhidas prematuramente — com menor concentração de compostos ativos.
Para além disso, esta espera longa explica porque o alcaçuz selvagem precisa de proteção. De facto, a colheita excessiva ameaça a regeneração natural das populações selvagens — dado que a planta precisa de anos para se regenerar após a colheita da raiz. Do mesmo modo, várias regiões produtoras já implementaram quotas de colheita para proteger as populações selvagens. Assim sendo, ao comprares alcaçuz para uso medicinal, opta sempre por produtos certificados de cultivo sustentável.
Compostos ativos do alcaçuz
O alcaçuz deve os seus benefícios a uma composição fitoquímica excecional. De facto, os investigadores identificaram vários grupos de compostos bioativos responsáveis pelas suas propriedades medicinais.
| Composto ativo | Principal ação |
|---|---|
| Glicirrizina | Anti-inflamatório, antiviral, demulcente |
| Ácido glicirrízico | Hepatoprotetor, anti-inflamatório |
| Liquiritigenina | Estrogénico suave, neuroprotetor |
| Polissacarídeos | Demulcente, imunoestimulante |
| Flavonoides | Antioxidante, anti-inflamatório |
| Isoflavonas | Anti-inflamatório, cardiovascular |
💡 Nota importante: A glicirrizina é o composto mais importante do alcaçuz mas também o responsável pelos seus efeitos sobre a pressão arterial. Consequentemente, foi desenvolvido o alcaçuz DGL — desglicirrizado — que remove a glicirrizina e permite o uso por pessoas com hipertensão. Assim sendo, ao escolheres alcaçuz para uso medicinal, verifica sempre se precisas da versão normal ou da versão DGL.
Alcaçuz normal vs alcaçuz DGL — qual a diferença?
Esta é uma das distinções mais importantes do mundo do alcaçuz medicinal. De facto, o alcaçuz DGL — desglicirrizado — é uma forma especialmente processada que remove a glicirrizina. Neste sentido, ao remover este composto, elimina-se o principal responsável pelos efeitos sobre a pressão arterial. Consequentemente, o alcaçuz DGL é seguro para pessoas com hipertensão, ao contrário do alcaçuz normal.
| Característica | Alcaçuz normal | Alcaçuz DGL |
|---|---|---|
| Glicirrizina | Presente | Removida |
| Efeito na pressão | Pode aumentar | Sem efeito |
| Uso em hipertensos | Não recomendado | Seguro |
| Principal uso | Respiratório, antiviral | Digestivo, úlceras |
| Forma disponível | Chá, extrato, pastilhas | Comprimidos, pastilhas |
Benefícios do alcaçuz comprovados pela ciência
1. Acalma e protege o sistema digestivo
O alcaçuz é provavelmente a planta medicinal mais eficaz para acalmar os tecidos irritados do sistema digestivo. De facto, os polissacarídeos da raiz formam uma camada protetora sobre a mucosa do trato digestivo — semelhante ao que o mel faz para a garganta. Neste sentido, esta ação demulcente é especialmente eficaz para tratar gastrite, úlceras gástricas e refluxo gastroesofágico.
Para além disso, estudos clínicos demonstraram que o alcaçuz DGL é tão eficaz como alguns medicamentos convencionais para as úlceras pépticas. Neste sentido, os investigadores identificaram o DGL como uma alternativa natural promissora para quem quer tratar úlceras sem os efeitos secundários dos medicamentos convencionais. Consequentemente, o alcaçuz DGL tornou-se numa das primeiras escolhas dos naturopatas para o tratamento de úlceras gástricas. Do mesmo modo, ao contrário de muitos medicamentos para o estômago, o alcaçuz não causa efeitos secundários significativos nas doses recomendadas. Além disso, não interfere com a absorção de nutrientes — um problema comum com alguns medicamentos para o refluxo e a gastrite. Assim sendo, é uma das opções naturais mais completas e seguras para o apoio do sistema digestivo.
2. Apoia o sistema respiratório
O alcaçuz tem propriedades expetorantes e demulcentes que o tornam especialmente eficaz para o sistema respiratório. De facto, a glicirrizina tem propriedades anti-inflamatórias que reduzem a inflamação das vias respiratórias. Neste sentido, é especialmente útil para aliviar tosse seca, bronquite e faringite. Consequentemente, é um dos ingredientes mais comuns em pastilhas para a garganta e xaropes para a tosse naturais.
Para além disso, as suas propriedades expetorantes ajudam a fluidificar o muco acumulado nas vias respiratórias, facilitando a sua eliminação. Neste sentido, ao contrário de muitos expetorantes convencionais, o alcaçuz não causa secura das mucosas — dado que as suas propriedades demulcentes mantêm as vias respiratórias hidratadas. Consequentemente, é especialmente eficaz para tosse seca e persistente associada a irritação das mucosas. Do mesmo modo, ao reduzir a inflamação das mucosas respiratórias, alivia o desconforto e a dor associados às infeções respiratórias. Além disso, a combinação de propriedades expetorantes, anti-inflamatórias e demulcentes torna o alcaçuz num dos remédios respiratórios naturais mais completos disponíveis. Assim sendo, o alcaçuz é especialmente útil nos meses de outono e inverno.
3. Tem propriedades anti-inflamatórias potentes
A glicirrizina tem propriedades anti-inflamatórias comprovadas — semelhantes às dos corticosteroides mas sem os seus efeitos secundários. De facto, inibe a produção de prostaglandinas e leucotrienos — as principais substâncias inflamatórias do organismo. Neste sentido, este mecanismo de ação é notavelmente semelhante ao dos corticosteroides mais potentes da medicina convencional. Consequentemente, o alcaçuz é especialmente útil para condições inflamatórias crónicas como a artrite, a doença inflamatória intestinal e a hepatite crónica. Além disso, ao contrário dos corticosteroides convencionais, não suprime o sistema imunitário.
Para além disso, a liquiritigenina tem também propriedades neuroprotetoras que podem ser úteis na prevenção de doenças neurodegenerativas. Neste sentido, os investigadores estudam atualmente o seu potencial para a prevenção do Alzheimer e do Parkinson. Do mesmo modo, ao contrário dos anti-inflamatórios convencionais, o alcaçuz não causa irritação gástrica quando consumido nas doses recomendadas. Assim sendo, é uma das plantas medicinais com maior potencial anti-inflamatório e com melhor perfil de segurança disponíveis.
4. Protege o fígado
O ácido glicirrízico tem propriedades hepatoprotetoras comprovadas. De facto, protege as células hepáticas contra danos causados por toxinas, vírus e medicamentos. Neste sentido, atua como um escudo natural para o fígado — prevenindo o dano antes de ele acontecer. Consequentemente, é especialmente útil para pessoas com hepatite crónica ou fígado gordo. Além disso, a medicina tradicional chinesa utiliza o alcaçuz há milénios precisamente para proteger e fortalecer o fígado — um uso que a ciência moderna confirmou integralmente.
Para além disso, estudos demonstraram que o alcaçuz tem propriedades antivirais contra o vírus da hepatite C. Neste sentido, os investigadores identificaram o ácido glicirrízico como um dos antivirais naturais mais eficazes contra este vírus específico. Do mesmo modo, ao estimular a produção de interferão — uma proteína antiviral natural —, o alcaçuz fortalece a resposta imunitária do fígado contra infeções virais. Consequentemente, atua em duas frentes simultaneamente — protege diretamente as células hepáticas e fortalece as defesas imunitárias do fígado. Assim sendo, é um dos complementos naturais mais promissores para o apoio da saúde hepática.
5. Tem propriedades antivirais
O alcaçuz tem propriedades antivirais comprovadas contra vários vírus. De facto, a glicirrizina inibe a replicação de vírus como o herpes simplex, o vírus da gripe e o vírus SARS-CoV. Neste sentido, é especialmente útil para prevenir e tratar infeções virais respiratórias nos meses de inverno. Consequentemente, o alcaçuz é um complemento natural interessante para fortalecer as defesas antivirais do organismo.
Para além disso, as suas propriedades imunoestimulantes complementam o efeito antiviral direto. Neste sentido, enquanto a glicirrizina atua diretamente sobre os vírus, os polissacarídeos estimulam o sistema imunitário a combatê-los — criando uma defesa dupla muito mais eficaz. Consequentemente, o alcaçuz é especialmente útil tanto para prevenir como para tratar infeções virais. Do mesmo modo, a combinação de alcaçuz com echinacea é especialmente eficaz para o suporte imunitário — dado que as duas plantas têm mecanismos de ação diferentes que se potenciam mutuamente. Além disso, esta combinação é especialmente recomendada nos meses de outono e inverno como proteção preventiva contra constipações e gripes. Assim sendo, podes encontrar mais informação no nosso artigo sobre a echinacea e os seus benefícios.
6. Alivia a dor de garganta
O alcaçuz é provavelmente o remédio natural mais eficaz para a dor de garganta. De facto, os polissacarídeos formam uma camada protetora sobre a mucosa da garganta que reduz a irritação e a dor. Neste sentido, o chá de alcaçuz é especialmente eficaz para garganta irritada, amigdalite ligeira e rouquidão. Consequentemente, é um dos ingredientes mais utilizados em pastilhas para a garganta em todo o mundo.
Para além disso, as suas propriedades anti-inflamatórias e antivirais complementam o efeito demulcente. Neste sentido, o alcaçuz atua simultaneamente na causa e nos sintomas da dor de garganta — algo que poucos remédios naturais conseguem fazer. Consequentemente, é especialmente eficaz tanto para dores de garganta de origem viral como para as causadas por irritação mecânica — como falar muito ou cantar. Do mesmo modo, o chá de alcaçuz com mel é especialmente agradável e eficaz para este fim — dado que o mel tem também propriedades antimicrobianas e demulcentes que complementam o alcaçuz. Além disso, esta combinação é especialmente apreciada por cantores e oradores que precisam de proteger a voz regularmente. Assim sendo, é um dos melhores remédios naturais para a garganta disponíveis.
História do alcaçuz — 5.000 anos de história humana
O alcaçuz tem uma das histórias medicinais mais fascinantes e bem documentadas de qualquer planta medicinal conhecida. De facto, os registos do seu uso remontam a mais de 5.000 anos. Neste sentido, esta longevidade histórica é tanto mais impressionante quanto o facto de atravessar civilizações completamente independentes — da China à Índia, do Egito à Babilónia. Para além disso, ao contrário de muitas plantas medicinais cujo uso foi descoberto apenas uma vez e depois difundido, o alcaçuz foi descoberto independentemente por várias civilizações sem contacto entre si. Consequentemente, este facto é uma das provas mais convincentes da eficácia real desta planta — dado que povos sem contacto chegaram às mesmas conclusões medicinais de forma independente. Assim sendo, o alcaçuz é provavelmente a planta medicinal com maior consenso histórico e intercultural de toda a história da humanidade.
O Código de Hammurabi e o Egito Antigo
Os primeiros registos documentados do uso medicinal do alcaçuz encontram-se no Código de Hammurabi. De facto, este texto jurídico e médico — escrito há cerca de 3.800 anos pelo sexto rei da Babilónia — menciona o alcaçuz como remédio. Neste sentido, é uma das primeiras evidências de que a humanidade já reconhecia as propriedades medicinais desta planta há quase quatro milénios. Consequentemente, o alcaçuz é uma das plantas medicinais com maior historial documentado da história da humanidade.
Para além disso, os antigos egípcios criavam um tónico com alcaçuz e colocavam-no em jarras funerárias para acompanhar os mortos na vida após a morte. Neste sentido, os arqueólogos encontraram estas jarras em túmulos de faraós e nobres — demonstrando que o alcaçuz era considerado um bem precioso. De facto, esta prática demonstra o enorme valor que os egípcios atribuíam ao alcaçuz — dado que apenas os objetos mais preciosos acompanhavam os mortos. Consequentemente, o alcaçuz era tão valorizado como o ouro e as especiarias mais raras na sociedade egípcia antiga. Do mesmo modo, esta prática funerária é uma das evidências históricas mais fascinantes do valor medicinal e espiritual que as civilizações antigas atribuíam a esta planta. Assim sendo, o alcaçuz era literalmente considerado um tesouro pelos egípcios antigos — digno de acompanhar os faraós para a eternidade.
Alexandre Magno, Júlio César e Napoleão
Um dos factos históricos mais fascinantes sobre o alcaçuz é a sua presença nas campanhas militares dos maiores generais da história. De facto, Alexandre Magno, Júlio César e Napoleão Bonaparte carregavam alcaçuz consigo durante as suas campanhas. Neste sentido, os generais usavam-no principalmente para manter as tropas hidratadas e com energia durante as longas marchas. Consequentemente, o alcaçuz foi um dos primeiros suplementos de performance utilizados por exércitos em todo o mundo. Além disso, a sua leveza e durabilidade tornavam-no num suplemento ideal para transportar em campanhas militares longas.
Para além disso, os nómadas citas das estepes da Ásia Central usavam o alcaçuz para sobreviver até 12 dias sem água durante as suas longas viagens. Neste sentido, os investigadores acreditam que a glicirrizina reduz a perda de líquidos pelo organismo — explicando assim esta capacidade extraordinária. Consequentemente, o alcaçuz pode ter sido literalmente um salvador de vidas para estes povos nómadas. Do mesmo modo, este facto demonstra como o conhecimento tradicional sobre as plantas medicinais pode ter aplicações práticas surpreendentes que a ciência moderna ainda não estudou completamente. Assim sendo, o alcaçuz tem provavelmente a história militar mais rica de qualquer planta medicinal conhecida.
O alcaçuz na Medicina Tradicional Chinesa e Ayurvédica
Na Medicina Tradicional Chinesa e na medicina Ayurvédica indiana, o alcaçuz ocupa um lugar especial. De facto, os praticantes destas medicinas tradicionais utilizam-no há milénios como “harmonizador”. Neste sentido, este papel de harmonizador é único — nenhuma outra planta medicinal tem uma função equivalente em duas tradições medicinais completamente independentes. Para além disso, o alcaçuz é frequentemente adicionado a fórmulas de ervas medicinais precisamente para equilibrar os sabores e potenciar os benefícios de todos os ingredientes. Consequentemente, os herbalistas tradicionais apelidaram-no de “o clássico gerador de sinergia de ervas”. Do mesmo modo, esta função de harmonizador explica porque o alcaçuz está presente em mais de 50% de todas as fórmulas medicinais tradicionais chinesas. Assim sendo, é provavelmente o ingrediente mais ubíquo de toda a fitoterapia tradicional asiática.
Como preparar o chá de alcaçuz — 3 receitas
1. Chá de alcaçuz simples — para a digestão e a garganta
Ingredientes:
- 1 colher de chá de raiz de alcaçuz seca e picada
- 250 ml de água
Modo de preparação: Colocar a raiz de alcaçuz e a água numa panela. De seguida, levar ao lume e deixar ferver durante 10 minutos em lume brando. Neste sentido, a fervura prolongada é essencial para o alcaçuz — ao contrário de muitas outras plantas medicinais — dado que a raiz é dura e lenhosa e necessita de calor prolongado para libertar os seus compostos ativos. Por fim, coar e beber morno. Consequentemente, beber o chá após as refeições potencia a sua ação digestiva e protetora da mucosa gástrica. Além disso, podes beber até 2 chávenas por dia. Assim sendo, nunca ultrapasses esta dose diária — dado que o consumo excessivo pode aumentar a pressão arterial.
⚠️ Importante: Não uses mais de 1 colher de chá por chávena e não bebas mais de 2 chávenas por dia. Além disso, não uses alcaçuz de forma continuada por mais de 4 a 6 semanas sem fazer uma pausa.
2. Chá de alcaçuz com gengibre — para o sistema respiratório
Esta combinação é especialmente eficaz para constipações e tosse, dado que o gengibre complementa as propriedades expetorantes e anti-inflamatórias do alcaçuz.
Ingredientes:
- 1 colher de chá de raiz de alcaçuz seca e picada
- 1 rodela de gengibre fresco
- 250 ml de água
- Mel a gosto
Modo de preparação: Colocar o alcaçuz, o gengibre e a água numa panela. De seguida, levar ao lume e deixar ferver durante 10 minutos em lume brando. Neste sentido, a fervura conjunta do alcaçuz e do gengibre extrai os compostos ativos de ambas as raízes de forma muito mais eficaz do que infusões separadas. Por fim, coar e deixar arrefecer ligeiramente antes de adicionar o mel. Consequentemente, dado que o mel perde as suas propriedades quando aquecido acima de 40°C, é importante adicioná-lo sempre depois de a bebida ter arrefecido um pouco. Além disso, o mel complementa as propriedades demulcentes do alcaçuz — criando uma proteção adicional para a garganta e as vias respiratórias. Assim sendo, beber morno para potenciar ao máximo o efeito desta combinação.
3. Chá de alcaçuz com camomila — para o estômago
Esta combinação é especialmente eficaz para gastrite e refluxo, dado que a camomila complementa as propriedades demulcentes e anti-inflamatórias do alcaçuz.
Ingredientes:
- 1 colher de chá de raiz de alcaçuz seca e picada
- 1 colher de chá de flores de camomila secas
- 250 ml de água
Modo de preparação: Ferver a água com o alcaçuz durante 5 minutos para extrair os compostos ativos da raiz. De seguida, apagar o fogo e adicionar a camomila. Neste sentido, adicionar a camomila apenas após apagar o fogo é essencial — dado que o calor excessivo destrói os compostos mais delicados desta flor. Tapar e deixar repousar 10 minutos. Além disso, tapar o recipiente durante a infusão garante que os óleos essenciais da camomila não se evaporam. Por fim, coar e beber morno antes das refeições. Consequentemente, beber este chá antes das refeições potencia a sua ação protetora da mucosa gástrica — dado que o estômago está vazio e os compostos ativos chegam diretamente à mucosa sem interferência dos alimentos.
Contraindicações do alcaçuz — quem não deve usar
O alcaçuz é uma das plantas medicinais com mais contraindicações importantes. Por isso, é absolutamente essencial conhecê-las antes de iniciar o consumo regular. Neste sentido, a principal contraindicação é a hipertensão arterial. De facto, é precisamente por ser tão eficaz sobre vários sistemas do organismo que pode ser prejudicial em determinadas condições.
A glicirrizina do alcaçuz inibe uma enzima que regula os níveis de cortisol no organismo. De facto, este mecanismo leva à retenção de sódio e à perda de potássio — o que aumenta a pressão arterial. Neste sentido, este efeito é cumulativo — quanto mais alcaçuz consomes e por mais tempo, maior é o impacto na pressão arterial. Consequentemente, pessoas com hipertensão arterial devem usar apenas alcaçuz DGL. Além disso, mesmo pessoas com pressão arterial normal não devem consumir alcaçuz de forma continuada por mais de 4 a 6 semanas.
Por outro lado, grávidas devem evitar o alcaçuz, dado que a glicirrizina pode afetar o desenvolvimento fetal. Neste sentido, estudos associaram o consumo elevado de alcaçuz durante a gravidez a problemas no desenvolvimento cognitivo da criança. Consequentemente, o risco supera claramente os benefícios durante a gravidez. Do mesmo modo, pessoas com insuficiência renal, insuficiência cardíaca ou que tomam diuréticos devem evitar o alcaçuz. Além disso, pessoas que tomam medicamentos para a pressão arterial ou corticosteroides devem consultar sempre um médico. Assim sendo, em caso de dúvida, consulta sempre um profissional de saúde.
Possíveis efeitos secundários do alcaçuz
O alcaçuz é seguro quando consumido nas doses recomendadas e por períodos limitados. No entanto, o consumo excessivo ou prolongado pode causar efeitos secundários sérios. Neste sentido, os mais preocupantes são a hipertensão arterial, a retenção de líquidos e os níveis baixos de potássio. De facto, estes três efeitos estão interligados — a retenção de sódio causada pela glicirrizina leva simultaneamente ao aumento da pressão e à perda de potássio.
Para além disso, níveis baixos de potássio podem causar fraqueza muscular, cãibras e arritmias cardíacas em casos graves. Neste sentido, as arritmias cardíacas são o efeito secundário mais grave e perigoso do consumo excessivo de alcaçuz. Consequentemente, o alcaçuz é uma das plantas medicinais que mais requer respeito pelas doses e duração de uso recomendadas. Do mesmo modo, se sentires palpitações, fraqueza muscular ou inchaço durante o uso de alcaçuz, interrompe imediatamente e consulta um médico. Assim sendo, nunca uses alcaçuz de forma continuada por mais de 4 a 6 semanas sem orientação médica.
Perguntas frequentes sobre o alcaçuz
Para que serve o alcaçuz?
O alcaçuz serve principalmente para acalmar o sistema digestivo, apoiar o sistema respiratório, aliviar a dor de garganta e combater inflamações. De facto, é uma das plantas medicinais mais versáteis disponíveis — com benefícios comprovados para vários sistemas do organismo. Neste sentido, poucas plantas medicinais conseguem atuar simultaneamente sobre o sistema digestivo, respiratório e imunitário. Consequentemente, é especialmente útil para pessoas com gastrite, refluxo, bronquite ou dor de garganta recorrente. Para além disso, ao contrário de muitas plantas medicinais especializadas num único benefício, o alcaçuz oferece um suporte global e abrangente. Do mesmo modo, a sua doçura natural torna-o especialmente fácil de incorporar na rotina diária. Assim sendo, é uma das primeiras plantas medicinais a considerar para quem quer apoiar simultaneamente a digestão e o sistema respiratório.
Qual é a diferença entre alcaçuz normal e alcaçuz DGL?
O alcaçuz DGL — desglicirrizado — é uma forma processada que remove a glicirrizina. De facto, esta remoção elimina os efeitos sobre a pressão arterial — tornando o DGL seguro para pessoas com hipertensão. Neste sentido, o processo de desglicirrizinização foi desenvolvido precisamente para permitir que pessoas com hipertensão pudessem beneficiar das propriedades digestivas do alcaçuz. Para além disso, o DGL mantém todas as propriedades demulcentes e gastroprotetoras do alcaçuz — sendo apenas a glicirrizina que é removida. Consequentemente, para problemas digestivos em pessoas com pressão alta, o alcaçuz DGL é sempre a escolha mais adequada. Além disso, o DGL está disponível principalmente em comprimidos e pastilhas mastigáveis — formatos especialmente eficazes para problemas de garganta e estômago. Assim sendo, verifica sempre qual a forma mais adequada para a tua situação específica antes de comprar.
O alcaçuz aumenta a pressão arterial?
Sim, o alcaçuz normal pode aumentar a pressão arterial quando consumido regularmente. De facto, a glicirrizina inibe uma enzima que regula o cortisol, levando à retenção de sódio e ao aumento da pressão. Neste sentido, este efeito começa a manifestar-se geralmente após 2 a 4 semanas de consumo regular — e é reversível quando se interrompe o consumo. Consequentemente, pessoas com hipertensão devem usar sempre alcaçuz DGL e nunca alcaçuz normal. Para além disso, mesmo pessoas com pressão arterial normal devem monitorizar a pressão se consumirem alcaçuz regularmente. Do mesmo modo, dado que o efeito é dose-dependente, doses mais altas causam aumentos maiores da pressão arterial. Assim sendo, respeitar sempre as doses recomendadas é absolutamente essencial com o alcaçuz.
Quanto tempo posso tomar alcaçuz?
Recomenda-se não consumir alcaçuz normal de forma continuada por mais de 4 a 6 semanas. De facto, o consumo prolongado pode causar hipertensão e níveis baixos de potássio. Consequentemente, após cada ciclo de 4 a 6 semanas, faz sempre uma pausa de pelo menos 2 semanas antes de recomeçar.
O alcaçuz é seguro durante a gravidez?
Não — grávidas devem evitar o alcaçuz, especialmente em doses elevadas. De facto, estudos associaram o consumo elevado de alcaçuz durante a gravidez a efeitos adversos no desenvolvimento do feto. Neste sentido, os investigadores identificaram a glicirrizina como o composto responsável por estes efeitos — dado que atravessa a placenta e pode afetar o desenvolvimento hormonal do feto. Consequentemente, o alcaçuz está contraindicado durante a gravidez sem orientação médica explícita. Para além disso, mesmo o alcaçuz DGL — sem glicirrizina — deve ser usado com precaução durante a gravidez. Do mesmo modo, esta contraindicação aplica-se também a produtos alimentares com alcaçuz — como alguns doces e bebidas. Assim sendo, lê sempre os rótulos durante a gravidez para evitar o consumo inadvertido de alcaçuz.
Posso combinar alcaçuz com outras plantas medicinais?
Sim, o alcaçuz combina muito bem com várias plantas medicinais. De facto, na medicina tradicional chinesa os herbalistas usam-no frequentemente como harmonizador em fórmulas combinadas. Neste sentido, o alcaçuz tem a propriedade única de potenciar e equilibrar os efeitos das outras plantas com que é combinado. Consequentemente, combina especialmente bem com a echinacea para o sistema imunitário, com o gengibre para o sistema respiratório e com a camomila para o sistema digestivo. Para além disso, a sua doçura natural melhora o sabor de fórmulas combinadas com plantas mais amargas. Do mesmo modo, ao adicionares alcaçuz a um chá de boldo ou de dente-de-leão, suavizas o sabor amargo sem reduzir os benefícios medicinais. Assim sendo, o alcaçuz é provavelmente o melhor aromatizante natural disponível para fórmulas de ervas medicinais.
Fontes científicas e referências
Alcaçuz e úlceras gástricas
Dehpour, A. R., et al. (1994). The protective effect of liquorice components and their derivatives against gastric ulcer induced by aspirin in rats. Journal of Pharmacy and Pharmacology, 46(2), 148–149. Neste estudo, os autores demonstraram que os compostos do alcaçuz têm propriedades gastroprotetoras comprovadas contra úlceras gástricas. Neste sentido, os investigadores testaram vários compostos isolados do alcaçuz e identificaram os polissacarídeos como os principais responsáveis pela proteção da mucosa gástrica. Para além disso, os resultados foram especialmente significativos para úlceras induzidas por anti-inflamatórios — um problema muito comum. Consequentemente, os investigadores identificaram o alcaçuz DGL como uma alternativa natural promissora aos medicamentos convencionais para as úlceras. Assim sendo, este estudo é uma referência importante para quem quer compreender o mecanismo de ação gastroprotetor do alcaçuz.
Alcaçuz e propriedades anti-inflamatórias
Fiore, C., et al. (2008). A history of the therapeutic use of liquorice in Europe. Journal of Ethnopharmacology, 99(3), 317–324. Nesta revisão histórica abrangente, os autores documentaram mais de 2.500 anos de uso terapêutico do alcaçuz na Europa. Neste sentido, os investigadores rastrearam o uso do alcaçuz desde a Grécia antiga até à medicina europeia moderna. Para além disso, confirmaram as propriedades anti-inflamatórias da glicirrizina e a sua comparação com os corticosteroides convencionais. Consequentemente, esta revisão é uma das referências mais importantes para quem quer compreender o potencial anti-inflamatório do alcaçuz. Do mesmo modo, os autores identificaram o alcaçuz como uma das plantas medicinais com maior continuidade histórica de uso terapêutico na Europa. Assim sendo, é uma leitura essencial para quem quer aprofundar o conhecimento sobre esta planta extraordinária.
Alcaçuz e proteção hepática
Asl, M. N., & Hosseinzadeh, H. (2008). Review of pharmacological effects of Glycyrrhiza sp. and its bioactive compounds. Phytotherapy Research, 22(6), 709–724. Nesta revisão abrangente, os autores confirmaram as propriedades hepatoprotetoras e antivirais do alcaçuz. Neste sentido, os investigadores analisaram dezenas de estudos clínicos e pré-clínicos sobre os compostos ativos do alcaçuz. Para além disso, confirmaram que o ácido glicirrízico é um dos compostos hepatoprotetores naturais mais potentes identificados até à data. Consequentemente, identificaram o ácido glicirrízico como um dos compostos hepatoprotetores naturais mais potentes disponíveis. Do mesmo modo, os autores destacaram o potencial do alcaçuz como complemento natural no tratamento da hepatite crónica. Assim sendo, esta revisão é uma das referências científicas mais completas e abrangentes sobre o alcaçuz disponíveis.
Alcaçuz e propriedades antivirais
Cinatl, J., et al. (2003). Glycyrrhizin, an active component of liquorice roots, and replication of SARS-associated coronavirus. The Lancet, 361(9374), 2045–2046. Neste estudo, os autores demonstraram que a glicirrizina inibe a replicação do coronavirus SARS. Neste sentido, este estudo publicado numa das revistas médicas mais prestigiadas do mundo confere ao alcaçuz uma credibilidade científica excecional. Para além disso, os resultados sugeriram que o alcaçuz pode ser um complemento natural útil para o apoio das defesas antivirais do organismo. Consequentemente, este estudo gerou um interesse renovado na glicirrizina como antiviral natural. Do mesmo modo, os investigadores identificaram o alcaçuz como uma das plantas medicinais com maior potencial antiviral disponíveis. Assim sendo, é uma referência científica fundamental para quem quer compreender o potencial antiviral desta planta milenar.
Alcaçuz e pressão arterial
Sigurjonsdottir, H. A., et al. (2001). Liquorice-induced rise in blood pressure: a linear dose-response relationship. Journal of Human Hypertension, 15(8), 549–552. Neste estudo clínico, os autores demonstraram que o consumo regular de alcaçuz aumenta a pressão arterial de forma proporcional à dose consumida. Neste sentido, os participantes que consumiram doses mais elevadas apresentaram aumentos maiores da pressão arterial. Para além disso, os resultados confirmaram que o efeito é reversível quando se interrompe o consumo. Consequentemente, este estudo é a base científica para as recomendações de precaução em pessoas com hipertensão. Do mesmo modo, os autores recomendaram que mesmo pessoas sem hipertensão não devem consumir alcaçuz de forma continuada por mais de 4 semanas. Assim sendo, é uma referência essencial para quem quer compreender os riscos cardiovasculares do consumo regular de alcaçuz.
📚 Nota editorial: As referências acima provêm de estudos científicos que passaram por revisão de pares e que investigadores publicaram em revistas indexadas. Alguns estudos foram realizados em modelos animais e os resultados em humanos podem variar. Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico profissional.
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