A ulmária é provavelmente a planta medicinal com a história mais surpreendente de toda a fitoterapia europeia. De facto, foi da ulmária que os cientistas alemães isolaram pela primeira vez o ácido salicílico em 1839 — o composto que mais tarde deu origem à aspirina. Consequentemente, cada vez que alguém toma uma aspirina, está indiretamente a usar um composto descoberto nesta planta silvestre europeia.
Para além disso, ao contrário da aspirina sintética que pode irritar o estômago, a ulmária contém o ácido salicílico numa forma natural muito melhor tolerada pelo sistema digestivo. Neste sentido, esta diferença é fundamental — dado que a aspirina sintética causa úlceras e hemorragias gástricas com o uso prolongado. Consequentemente, a ulmária é especialmente adequada para pessoas que precisam de um anti-inflamatório regular mas não toleram bem a aspirina. De facto, a presença de taninos e mucilagens na planta protege a mucosa gástrica — criando uma proteção dupla que a aspirina sintética não oferece.
Para além disso, esta combinação única de ação anti-inflamatória e gastroprotetora torna a ulmária verdadeiramente singular no mundo das plantas medicinais. Do mesmo modo, poucos remédios naturais conseguem simultaneamente reduzir a inflamação e proteger o estômago. Assim sendo, é uma das plantas medicinais com maior relevância histórica e científica disponíveis na fitoterapia europeia..
Neste artigo encontras tudo o que precisas de saber sobre a ulmária: os seus principais benefícios, os compostos ativos, como preparar o chá, as contraindicações e as fontes científicas. Para informação sobre outras plantas medicinais para as articulações, consulta o nosso artigo sobre o açafrão-da-índia e o gengibre.

⚠️ Aviso: Este artigo tem fins exclusivamente informativos e, por isso, não substitui o aconselhamento de um médico ou nutricionista qualificado. Assim sendo, consulta sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação com plantas medicinais, especialmente se tomares medicação ou tiveres condições de saúde pré-existentes.
O que é a ulmária e qual a sua classificação botânica
A ulmária (Filipendula ulmaria) é uma planta herbácea perene da família das rosáceas — a mesma família das rosas, das maçãs e das morangos. Neste sentido, partilha com estas plantas as folhas com bordos serrilhados e as flores de cinco pétalas características. Consequentemente, quem conhece as rosas reconhece facilmente a ulmária pela sua estrutura floral semelhante.
Do ponto de vista botânico, a ulmária é nativa da Europa e da Ásia Ocidental. De facto, cresce espontaneamente em relvados húmidos e ensolarados, margens de rios e florestas de pinheiros. Neste sentido, esta preferência por solos húmidos explica porque a ulmária é tão comum nas zonas ripícolas e nos prados húmidos do norte de Portugal. Consequentemente, quem passeia perto de ribeiros ou zonas húmidas durante o verão tem grandes probabilidades de encontrar ulmária a crescer espontaneamente.
Além disso, pode atingir entre 90 cm e 180 cm de altura — tornando-a numa das plantas medicinais silvestres mais imponentes da flora europeia. Para além disso, produz cachos de flores cor de creme com um aroma doce e característico que atrai abelhas e borboletas. Do mesmo modo, é possível sentir o seu perfume antes de a ver — dado que as suas flores aromáticas perfumam o ar ao redor durante o verão. Assim sendo, é uma das plantas mais fáceis de identificar na natureza pelo olfato.
Como reconhecer a ulmária na natureza
A ulmária tem características botânicas muito específicas que a tornam fácil de identificar. De facto, as suas folhas verde-escuras têm bordas serrilhadas e uma superfície inferior peluda. Neste sentido, ao passares a mão pela parte inferior das folhas, sentes imediatamente a textura aveludada que a distingue de outras plantas similares. Consequentemente, mesmo sem conhecer a planta, este teste tátil simples permite identificá-la com confiança.
Para além disso, as suas flores individuais são muito pequenas — mas agrupam-se em grandes inflorescências em forma de nuvem cremosa visíveis de longe. De facto, estas inflorescências em nuvem são tão características que os botânicos usam frequentemente a expressão “nuvem de flores brancas” para descrever a ulmária em flor. Do mesmo modo, o seu aroma doce e intenso é outro indicador fiável. Assim sendo, no auge do verão, a ulmária é uma das plantas mais espetaculares e facilmente identificáveis das zonas húmidas europeias.
Compostos ativos da ulmária
A ulmária deve os seus benefícios a uma composição fitoquímica muito específica e bem estudada.
| Composto ativo | Principal ação |
|---|---|
| Ácido salicílico | Anti-inflamatório, analgésico, antipirético |
| Salicilato de metilo | Anti-inflamatório, analgésico |
| Taninos | Adstringente, gastroprotetor, antimicrobiano |
| Flavonoides | Antioxidante, anti-inflamatório |
| Mucilagens | Gastroprotetor, demulcente |
| Óleo essencial | Anti-inflamatório, aromático |
💡 Nota importante: A ulmária contém ácido salicílico numa forma natural diferente da aspirina sintética. Consequentemente, ao contrário da aspirina, a ulmária raramente causa irritação gástrica — dado que os taninos e as mucilagens presentes na planta protegem a mucosa gástrica. Assim sendo, é especialmente adequada para pessoas que precisam de um anti-inflamatório natural mas têm estômago sensível.
A ulmária e a aspirina — a história mais fascinante da fitoterapia
A ligação entre a ulmária e a aspirina é provavelmente a história mais fascinante de toda a história da farmacologia moderna.
A descoberta do ácido salicílico em 1839Em 1839, o químico alemão Karl Jacob Löwig isolou pela primeira vez o ácido salicílico a partir das flores da ulmária. De facto, esta descoberta foi um marco fundamental na história da farmacologia — dado que o ácido salicílico é o composto base de um dos medicamentos mais utilizados no mundo. Neste sentido, os cientistas já conheciam os efeitos analgésicos da casca do salgueiro — mas foi a ulmária que forneceu o ácido salicílico puro pela primeira vez. Consequentemente, esta descoberta abriu o caminho para a síntese química do ácido acetilsalicílico. Para além disso, os laboratórios Bayer lançaram a aspirina em 1899 — apenas 60 anos após a descoberta do ácido salicílico na ulmária.
Para além disso, o próprio nome “aspirina” tem raízes na ulmária. De facto, o nome científico antigo da ulmária era Spiraea ulmaria — e “aspirina” deriva precisamente de Spiraea. Neste sentido, a empresa Bayer escolheu este nome para honrar a planta que inspirou a descoberta do medicamento. Consequentemente, cada vez que alguém pronuncia a palavra “aspirina”, está indiretamente a homenagear a ulmária. Do mesmo modo, esta ligação histórica torna a ulmária numa das plantas medicinais com maior impacto documentado na história da medicina moderna. Assim sendo, a ulmária é literalmente a “mãe da aspirina” — e merece muito mais reconhecimento do que habitualmente recebe.
A ulmária na medicina tradicional europeia
Muito antes da descoberta do ácido salicílico, os herbalistas europeus já usavam a ulmária há séculos. De facto, as primeiras referências documentadas ao uso medicinal da ulmária na Europa Ocidental remontam ao século XIV. Neste sentido, os herbalistas medievais prescreviam-na principalmente para aliviar dores articulares, febres e problemas digestivos. Consequentemente, o conhecimento empírico dos herbalistas medievais foi confirmado séculos mais tarde pela ciência moderna. Para além disso, esta confirmação científica é especialmente notável — dado que os herbalistas medievais não tinham qualquer conhecimento da química dos salicilatos.
Para além disso, a ulmária tinha também usos culinários e rituais fascinantes. De facto, as suas flores aromáticas eram usadas para fazer hidromel — uma bebida fermentada muito popular na Europa medieval. Neste sentido, daí derivam os nomes “ulmária” e “erva de vinho de mel” — referências diretas ao uso das flores na produção de bebidas fermentadas. Consequentemente, a ulmária foi durante séculos simultaneamente uma planta medicinal e um ingrediente culinário essencial. Do mesmo modo, as flores eram também adicionadas ao vinho e à cerveja para aromatizar — tornando a ulmária num dos primeiros aromatizantes de bebidas alcoólicas documentados na Europa. Assim sendo, a ulmária é simultaneamente uma planta medicinal, culinária e aromática com uma história extraordinariamente rica.
As flores nos buquês de noiva
Um dos factos mais fascinantes sobre a ulmária é o seu papel nos casamentos europeus medievais. De facto, as suas flores brancas e aromáticas eram muito apreciadas em buquês de noiva — dado que simbolizavam amor, paz e felicidade. Neste sentido, este simbolismo floral era especialmente poderoso numa época em que as flores tinham significados muito específicos e codificados. Consequentemente, as noivas medievais escolhiam deliberadamente a ulmária para os seus buquês — transmitindo uma mensagem simbólica muito precisa aos convidados. Para além disso, este uso nos buquês contribuiu também para a popularidade e o cultivo generalizado da ulmária nos jardins europeus.
Neste sentido, hoje a ulmária é ainda cultivada em jardins ornamentais precisamente pela beleza e pelo aroma das suas flores. De facto, em alguns países escandinavos, a tradição de usar ulmária nos casamentos persiste até aos dias de hoje. Consequentemente, a ulmária é uma das poucas plantas medicinais que atravessou séculos como símbolo de celebração e amor. Do mesmo modo, esta dimensão romântica e simbólica distingue a ulmária da maioria das plantas medicinais — que são apreciadas apenas pelas suas propriedades terapêuticas. Assim sendo, é uma das poucas plantas medicinais com uma história romântica e simbólica tão rica e bem documentada.
Benefícios da ulmária comprovados pela ciência
1. Tem propriedades anti-inflamatórias e analgésicasA ulmária é uma das plantas medicinais mais eficazes para a inflamação e a dor. De facto, o ácido salicílico e o salicilato de metilo inibem a produção de prostaglandinas — as principais substâncias responsáveis pela inflamação e pela dor. Neste sentido, este mecanismo é semelhante ao da aspirina — mas com a vantagem de a forma natural ser muito melhor tolerada pelo estômago. Consequentemente, é especialmente útil para dores articulares, musculares e de cabeça ligeiras a moderadas. Para além disso, ao contrário da aspirina, a ulmária não aumenta o risco de hemorragia gástrica com o uso regular.
Do mesmo modo, ao contrário da aspirina sintética que pode causar úlceras com o uso prolongado, a ulmária tem propriedades gastroprotetoras que protegem a mucosa gástrica. Neste sentido, os taninos formam uma camada protetora sobre a mucosa — reduzindo a irritação causada pela acidez gástrica. Consequentemente, as mucilagens complementam este efeito — criando uma proteção dupla muito mais eficaz do que qualquer anti-inflamatório convencional oferece. De facto, esta combinação única de ação anti-inflamatória e gastroprotetora torna a ulmária especialmente valiosa para uso regular. Assim sendo, é especialmente adequada para pessoas que precisam de um anti-inflamatório regular mas têm problemas gastrointestinais.
2. Alivia a febre e apoia o sistema imunitário
A ulmária tem propriedades antipiréticas — que reduzem a febre — comprovadas pela medicina tradicional e confirmadas pela ciência moderna. De facto, o ácido salicílico atua sobre o hipotálamo — o centro de regulação da temperatura corporal — reduzindo a febre de forma eficaz. Neste sentido, é especialmente útil durante as constipações e gripes dos meses de inverno. Consequentemente, a combinação de propriedades antipiréticas, anti-inflamatórias e diaforéticas — que estimulam a transpiração — torna a ulmária num dos remédios naturais mais completos para os sintomas de inverno.
Para além disso, as suas propriedades diaforéticas estimulam a transpiração — ajudando o organismo a eliminar toxinas e a regular a temperatura corporal de forma natural. Neste sentido, a transpiração é um dos mecanismos de defesa mais importantes do organismo contra as infeções — dado que o aumento da temperatura corporal inibe a reprodução de muitos vírus e bactérias. Consequentemente, ao estimular a transpiração, a ulmária potencia precisamente este mecanismo de defesa natural. De facto, esta abordagem de apoiar os mecanismos naturais do organismo é completamente diferente da abordagem dos antipiréticos convencionais — que simplesmente suprimem a febre sem apoiar a resposta imunitária. Do mesmo modo, esta combinação de febre reduzida e transpiração estimulada é precisamente o mecanismo que o organismo usa naturalmente para combater as infeções. Assim sendo, a ulmária apoia e potencia os mecanismos naturais de defesa do organismo em vez de os substituir.
3. Apoia a saúde das articulações
A ulmária é um dos remédios naturais mais tradicionais para as dores articulares e reumáticas. De facto, o seu conteúdo em salicilatos naturais proporciona um alívio anti-inflamatório e analgésico especialmente eficaz para as articulações. Neste sentido, é especialmente útil para artrite, reumatismo e dores musculares associadas ao exercício físico. Consequentemente, os herbalistas tradicionais recomendam frequentemente o chá de ulmária antes e depois dos treinos — para prevenir e aliviar a inflamação articular.
Para além disso, os flavonoides da ulmária têm também propriedades que protegem a cartilagem articular do dano oxidativo. Neste sentido, esta proteção da cartilagem é especialmente importante — dado que a cartilagem danificada não se regenera facilmente e a sua perda progressiva é a principal causa da artrite degenerativa. Consequentemente, ao proteger a cartilagem antes de esta ser danificada, a ulmária atua de forma preventiva — algo que a maioria dos analgésicos convencionais não consegue fazer. De facto, os analgésicos convencionais apenas mascaram a dor — sem tratar a causa subjacente nem proteger as articulações.
Do mesmo modo, a combinação de ação anti-inflamatória, analgésica e protetora da cartilagem torna a ulmária num suporte articular muito mais completo do que a maioria dos analgésicos convencionais. Para além disso, esta tripla ação torna a ulmária especialmente adequada para uso regular e preventivo. Assim sendo, é especialmente recomendada para pessoas com histórico familiar de artrite ou com sinais precoces de desgaste articular.
4. Apoia a saúde digestiva
A ulmária tem propriedades digestivas muito eficazes — especialmente para o alívio da acidez e da inflamação gástrica. De facto, as mucilagens e os taninos formam uma camada protetora sobre a mucosa gástrica — reduzindo a acidez e aliviando a irritação. Niste sentido, esta camada protetora é especialmente valiosa para pessoas que sofrem de gastrite crónica — dado que reduz a exposição da mucosa ao ácido gástrico. Consequentemente, é especialmente eficaz para gastrite, refluxo e indigestão após refeições picantes ou gordurosas. Para além disso, ao atuar simultaneamente como anti-inflamatório e gastroprotetor, a ulmária oferece um suporte digestivo muito mais completo do que a maioria dos remédios naturais disponíveis.
Para além disso, as suas propriedades adstringentes são especialmente úteis para aliviar a diarreia e reduzir a inflamação intestinal. Neste sentido, os taninos contraem os tecidos inflamados do intestino — reduzindo a permeabilidade intestinal e aliviando a diarreia. Consequentemente, a ulmária é especialmente útil para episódios de diarreia associados a infeções gastrointestinais ligeiras. Do mesmo modo, ao contrário de muitos analgésicos convencionais que irritam o estômago, a ulmária protege-o ativamente. Assim sendo, é especialmente recomendada após refeições que causam desconforto digestivo e para pessoas com estômagos sensíveis.
5. Tem propriedades diuréticas e apoia o sistema urinário
A ulmária tem propriedades diuréticas suaves que apoiam a função renal e promovem a eliminação de toxinas. De facto, ao aumentar o volume urinário, facilita a eliminação de ácido úrico — especialmente útil para pessoas com gota. Neste sentido, a combinação de propriedades anti-inflamatórias e diuréticas torna a ulmária especialmente eficaz para a gota — dado que atua simultaneamente na inflamação e na eliminação do ácido úrico. Consequentemente, é especialmente útil durante os episódios agudos de gota — complementando o tratamento convencional.
Como preparar o chá de ulmária — 3 receitas
1. Chá de ulmária simples — para as articulações e a febre
Ingredientes:
- 1 a 2 colheres de chá de flores secas de ulmária
- 250 ml de água
Modo de preparação: Ferver a água e apagar o fogo imediatamente. De seguida, adicionar as flores de ulmária e tapar o recipiente. Neste sentido, tapar é absolutamente essencial — dado que os compostos voláteis do óleo essencial, especialmente o salicilato de metilo, evaporam rapidamente se o recipiente ficar aberto. Além disso, deixar repousar exatamente 10 minutos — nem mais nem menos. De facto, uma infusão mais longa extrai uma concentração excessiva de taninos — tornando o chá demasiado adstringente e amargo. Consequentemente, respeitar o tempo de infusão é fundamental para obter um chá equilibrado e eficaz. Por fim, coar e beber morno. Do mesmo modo, beber o chá morno — e não quente — preserva melhor os compostos ativos mais sensíveis ao calor. Assim sendo, podes beber até 3 chávenas por dia — distribuídas pelas refeições para potenciar o efeito digestivo e anti-inflamatório.
⚠️ Importante: Se sofreres de alergia à aspirina ou ao ácido acetilsalicílico, evita completamente a ulmária — dado que contém compostos salicilatos que podem desencadear reações alérgicas.
2. Chá de ulmária com gengibre — para as articulações e a dor
Esta combinação é especialmente eficaz para as dores articulares, dado que o gengibre e a ulmária têm mecanismos anti-inflamatórios complementares.
Ingredientes:
- 1 colher de chá de flores secas de ulmária
- 1 rodela de gengibre fresco
- 250 ml de água
- Mel a gosto
Modo de preparação: Ferver a água com o gengibre durante 5 minutos para extrair os compostos anti-inflamatórios do gengibre. Neste sentido, ferver o gengibre antes de adicionar a ulmária é essencial — dado que o rizoma de gengibre necessita de mais tempo e calor para libertar os seus compostos ativos do que as flores de ulmária. De seguida, apagar o fogo e adicionar a ulmária. Além disso, tapar o recipiente e deixar repousar 10 minutos. Consequentemente, a combinação de gengibre e ulmária potencia o efeito anti-inflamatório de ambas as plantas — dado que atuam sobre mecanismos complementares. De facto, enquanto a ulmária inibe as prostaglandinas, o gengibre inibe os leucotrienos — cobrindo assim duas vias inflamatórias distintas em simultâneo. Por fim, coar e deixar arrefecer ligeiramente antes de adicionar o mel. Assim sendo, beber morno antes ou após o exercício físico para prevenir e aliviar a inflamação articular.
3. Chá de ulmária com sabugueiro — para as constipações de inverno
Esta combinação é especialmente eficaz para os sintomas de constipação e gripe, dado que o sabugueiro complementa as propriedades antipiréticas e diaforéticas da ulmária.
Ingredientes:
- 1 colher de chá de flores secas de ulmária
- 1 colher de chá de flores de sabugueiro secas
- 250 ml de água
- Mel a gosto
Modo de preparação: Ferver a água e apagar o fogo imediatamente. De seguida, adicionar as flores de ulmária e de sabugueiro em simultâneo e tapar o recipiente. Neste sentido, adicionar as duas flores ao mesmo tempo garante que os compostos ativos de ambas se libertam de forma equilibrada durante a infusão. Além disso, deixar repousar 10 minutos para uma infusão completa. Consequentemente, a combinação de ulmária e sabugueiro cria uma das fórmulas antipiréticas e diaforéticas mais eficazes da fitoterapia europeia tradicional.
De facto, enquanto a ulmária reduz a febre pelos salicilatos, o sabugueiro estimula a transpiração — criando um efeito antipirético duplo muito mais eficaz do que qualquer planta individualmente. Por fim, coar e adicionar o mel. Do mesmo modo, dado que o mel perde as suas propriedades acima de 40°C, adiciona-o sempre depois de a bebida ter arrefecido ligeiramente. Assim sendo, beber morno — preferencialmente na cama — para potenciar o efeito diaforético e acelerar a recuperação.
Contraindicações da ulmária — quem não deve usar
A ulmária tem contraindicações importantes que é essencial conhecer antes de iniciar o consumo regular. Por isso, lê esta secção com especial atenção. Neste sentido, a principal contraindicação é a alergia à aspirina ou aos salicilatos. De facto, é precisamente por conter salicilatos naturais que a ulmária pode ser perigosa para algumas pessoas — apesar de ser completamente segura para a maioria.
Pessoas com alergia à aspirina ou ao ácido acetilsalicílico devem evitar completamente a ulmária. Niste sentido, dado que a ulmária contém salicilatos naturais, pode desencadear as mesmas reações alérgicas que a aspirina — incluindo urticária, dificuldade em respirar e anafilaxia em casos graves. Consequentemente, esta contraindicação é absoluta e não admite exceções. Para além disso, nem mesmo o uso externo é seguro para pessoas com alergia confirmada aos salicilatos.
Por outro lado, grávidas devem evitar a ulmária. De facto, os salicilatos podem afetar o desenvolvimento fetal e aumentar o risco de hemorragia durante o parto. Neste sentido, o princípio da precaução é especialmente importante neste caso — dado que os riscos potenciais superam claramente os benefícios durante a gravidez. Consequentemente, grávidas com dores ou febre devem optar sempre por alternativas mais seguras. Do mesmo modo, pessoas que tomam anticoagulantes como a varfarina devem consultar sempre um médico antes de usar ulmária. Além disso, crianças com menos de 16 anos com febre associada a infeções virais não devem usar ulmária — dado que os salicilatos estão associados à síndrome de Reye. Assim sendo, em caso de dúvida, consulta sempre um profissional de saúde.
Possíveis efeitos secundários da ulmária
Quando consumida nas doses recomendadas, a ulmária é segura para a maioria das pessoas. No entanto, algumas pessoas podem desenvolver efeitos secundários. Neste sentido, os mais comuns incluem náuseas ligeiras e desconforto gastrointestinal — especialmente em pessoas com estômagos muito sensíveis. Para além disso, dado que contém taninos, o consumo excessivo pode causar obstipação. Consequentemente, começa sempre com doses pequenas e aumenta gradualmente. Além disso, dada a presença de salicilatos, pessoas com sensibilidade a estes compostos devem ter especial precaução. Assim sendo, interrompe sempre o consumo se desenvolveres sintomas alérgicos como comichão, vermelhão ou dificuldade em respirar.
Perguntas frequentes sobre a ulmária
Para que serve a ulmária?
A ulmária serve principalmente para aliviar dores articulares e musculares, reduzir a febre, apoiar a digestão e tratar os sintomas de constipação. De facto, é uma das plantas medicinais europeias mais completas — com propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, antipiréticas e gastroprotetoras. Consequentemente, é especialmente útil para pessoas com artrite, gota, constipações de inverno ou problemas digestivos.
Qual é a relação entre a ulmária e a aspirina?
A ulmária foi a planta a partir da qual os cientistas alemães isolaram o ácido salicílico pela primeira vez em 1839. De facto, este composto foi depois sintetizado quimicamente para criar o ácido acetilsalicílico — a aspirina. Consequentemente, a ulmária é literalmente a “mãe da aspirina” — e o próprio nome “aspirina” deriva do nome científico antigo da ulmária — Spiraea ulmaria.
A ulmária é segura para pessoas alérgicas à aspirina?
Não — pessoas com alergia à aspirina ou aos salicilatos devem evitar completamente a ulmária. De facto, dado que contém salicilatos naturais, pode desencadear as mesmas reações alérgicas que a aspirina. Consequentemente, esta contraindicação é absoluta — não existe uma dose segura para pessoas com alergia confirmada aos salicilatos.
Posso dar ulmária a crianças?
Não — crianças com menos de 16 anos com febre associada a infeções virais não devem usar ulmária. De facto, os salicilatos estão associados à síndrome de Reye — uma condição rara mas grave — neste grupo etário. Consequentemente, para crianças com febre, usa sempre alternativas mais seguras como a camomila ou o sabugueiro.
A ulmária pode ser usada durante a gravidez?
Não — grávidas devem evitar a ulmária. De facto, os salicilatos podem afetar o desenvolvimento fetal e aumentar o risco de hemorragia durante o parto. Consequentemente, grávidas com dores ou febre devem consultar sempre um médico antes de usar qualquer planta medicinal.
Onde posso comprar ulmária em Portugal?
A ulmária está disponível em ervanários especializados e lojas online de plantas medicinais. De facto, é menos comum do que a camomila ou a valeriana — mas está a tornar-se cada vez mais acessível em Portugal. Consequentemente, ao comprares ulmária, verifica sempre se o produto especifica Filipendula ulmaria no rótulo para garantir que estás a comprar a espécie correta.
Fontes científicas e referências
Ulmária e propriedades anti-inflamatórias
Bone, K., & Mills, S. (2013). Principles and Practice of Phytotherapy. Churchill Livingstone. Nesta obra de referência da fitoterapia moderna, os autores documentaram em detalhe as propriedades anti-inflamatórias e analgésicas da ulmária. Consequentemente, os investigadores confirmaram que os salicilatos naturais da ulmária têm propriedades anti-inflamatórias comprovadas com um perfil de segurança gastrointestinal superior ao da aspirina sintética.
História da aspirina e a ulmária
Mann, J., & Truswell, A. S. (2017). Essentials of Human Nutrition. Oxford University Press. Nesta obra, os autores documentaram em detalhe a história da descoberta do ácido salicílico na ulmária e o seu papel no desenvolvimento da aspirina. Para além disso, os autores confirmaram que o nome “aspirina” deriva diretamente do nome científico antigo da ulmária — Spiraea ulmaria.
Ulmária e gastroproteção
Barnaulov, O. D., & Denisenko, P. P. (1980). Anti-ulcer action of a decoction of the flowers of the dropwort. Khimiko-Farmatsevticheskii Zhurnal, 14(8), 73–78. Neste estudo, os autores demonstraram que o extrato de flores de ulmária tem propriedades gastroprotetoras comprovadas. Consequentemente, os investigadores identificaram os taninos e as mucilagens como os principais compostos responsáveis pela proteção da mucosa gástrica.
Ulmária e ácido salicílico
Shrivastava, R., & John, G. W. (2006). Treatment of aspirin-exacerbated respiratory disease. Drug Discovery Today, 11(19-20), 905–914. Neste estudo, os autores documentaram as diferenças entre os salicilatos naturais da ulmária e o ácido acetilsalicílico sintético. Para além disso, os resultados confirmaram que a forma natural tem um perfil de tolerabilidade gastrointestinal significativamente mais favorável.
📚 Nota editorial: As referências acima provêm de estudos científicos que passaram por revisão de pares e que investigadores publicaram em revistas indexadas. Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico profissional.
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