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Gengibre: 8 Benefícios para a Saúde, Como Usar e Contraindicações

O gengibre é uma das plantas medicinais mais antigas e mais estudadas do mundo — e também uma das mais saborosas. De facto, a humanidade utiliza o gengibre há mais de 5.000 anos, tanto na culinária como na medicina tradicional. Consequentemente, tornou-se numa das especiarias mais apreciadas e mais versáteis disponíveis, presente em cozinhas e boticas de culturas tão distintas como a indiana, a japonesa, a jamaicana e a portuguesa.

Para além disso, ao contrário de muitas plantas medicinais com sabor desagradável, o gengibre tem um sabor picante e aromático. Consequentemente, torna-se num dos remédios naturais mais agradáveis de consumir. Neste sentido, esta característica única faz com que seja muito mais fácil manter o consumo regular do que com outras plantas medicinais. Do mesmo modo, os seus compostos ativos — especialmente o gingerol e o shogaol — têm propriedades terapêuticas comprovadas cientificamente. Além disso, estas propriedades vão muito além do simples alívio da digestão. Assim sendo, o gengibre é uma das plantas medicinais com maior amplitude de benefícios disponíveis, atuando simultaneamente sobre o sistema digestivo, o sistema imunitário, o sistema cardiovascular e o sistema nervoso.


⚠️ Aviso: Este artigo tem fins exclusivamente informativos e, por isso, não substitui o aconselhamento de um médico ou nutricionista qualificado. Assim sendo, consulta sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação com plantas medicinais, especialmente se tomares medicação ou tiveres condições de saúde pré-existentes.


Neste artigo encontras tudo o que precisas de saber sobre o gengibre: os seus 8 principais benefícios para a saúde, os compostos ativos responsáveis por cada benefício, como preparar o chá, os usos culinários internacionais, as doses recomendadas, as contraindicações e as fontes científicas que suportam cada afirmação.


O que é o gengibre e quais os seus compostos ativos

O gengibre (Zingiber officinale) é uma planta tropical da família das zingiberáceas, nativa do Sudeste Asiático. Do ponto de vista botânico, a parte medicinal não é propriamente uma raiz. De facto, trata-se de um rizoma — ou seja, um caule subterrâneo que armazena os nutrientes e os compostos ativos da planta. Consequentemente, quando compramos “raiz de gengibre” no supermercado, estamos na verdade a comprar o rizoma da planta. Neste sentido, esta distinção é importante, dado que o rizoma tem uma concentração de compostos ativos muito superior à das folhas ou do caule. Além disso, é precisamente no rizoma que se encontram os compostos gingerol e shogaol — responsáveis pelo sabor picante e pelos principais benefícios medicinais. Assim sendo, para uso medicinal, o rizoma fresco ou seco é sempre a parte da planta mais indicada.

A planta pode atingir cerca de um metro e meio de altura e prospera em climas quentes e húmidos. De facto, a precipitação, a altitude, a temperatura e o momento da colheita influenciam diretamente a concentração de compostos ativos e o nível de picante do gengibre. Consequentemente, o gengibre colhido em diferentes regiões e épocas tem sabores e propriedades ligeiramente diferentes.

Compostos ativos do gengibre

Composto ativoPrincipal açãoMelhor forma de extração
GingerolAnti-inflamatório, antiemético, termogénicoGengibre fresco, chá
ShogaolAnti-inflamatório potente, anticancroGengibre seco ou cozinhado
ParadolAntioxidante, anticancroGengibre seco
ZingeronaAntioxidante, antimicrobianoGengibre cozinhado
Óleos essenciaisAromático, digestivo, carminativoGengibre fresco

💡 Nota importante: O gingerol — o composto mais abundante no gengibre fresco — transforma-se em shogaol quando o gengibre é seco ou cozinhado. Consequentemente, o gengibre seco tem propriedades anti-inflamatórias mais potentes do que o fresco, enquanto o gengibre fresco é mais eficaz como antiemético.


8 benefícios do gengibre comprovados pela ciência

1. Alivia náuseas e enjoos

O gengibre é provavelmente o remédio natural mais eficaz para as náuseas. De facto, estudos clínicos demonstraram que o gingerol e o shogaol atuam diretamente nos recetores do sistema digestivo. Além disso, atuam também nos recetores do sistema nervoso central, reduzindo assim os sinais de náusea. Consequentemente, o gengibre é amplamente utilizado para tratar náuseas de movimento, enjoos em viagem, náuseas pós-operatórias e náuseas da gravidez. Neste sentido, é uma das poucas plantas medicinais com evidência científica sólida para tantos tipos diferentes de náusea em simultâneo.

Para além disso, uma meta-análise publicada no Obstetrics & Gynecology confirmou que o gengibre é eficaz e seguro para as náuseas matinais da gravidez. Consequentemente, torna-o numa das poucas plantas medicinais com evidência científica sólida para uso durante a gravidez. Do mesmo modo, ao contrário de muitos medicamentos antieméticos convencionais, o gengibre não causa sonolência nem outros efeitos secundários significativos. No entanto, grávidas devem sempre consultar um médico antes de usar gengibre em doses terapêuticas.

2. Melhora a digestão

O gengibre tem propriedades carminativas e antiespasmódicas que melhoram significativamente o funcionamento do sistema digestivo. De facto, estimula a produção de enzimas digestivas e acelera o esvaziamento gástrico. Além disso, reduz os espasmos intestinais que causam cólicas e desconforto abdominal. Consequentemente, é especialmente útil para aliviar sintomas como a indigestão, os gases, o enfartamento e as cólicas abdominais. Neste sentido, poucas plantas medicinais conseguem atuar em tantos aspetos da digestão em simultâneo. Para além disso, ao acelerar o esvaziamento gástrico, o gengibre reduz a sensação de peso no estômago após as refeições. Do mesmo modo, ao reduzir a fermentação intestinal, diminui a produção de gases e o desconforto associado. Assim sendo, beber uma chávena de chá de gengibre após as refeições é uma das formas mais eficazes de melhorar a digestão de forma natural.

3. Tem potentes propriedades anti-inflamatórias

O gingerol e o shogaol do gengibre têm propriedades anti-inflamatórias comprovadas. De facto, inibem a produção de substâncias inflamatórias como as prostaglandinas e as citocinas. Neste sentido, alguns estudos compararam o efeito anti-inflamatório do gengibre com o de medicamentos anti-inflamatórios convencionais, com resultados promissores. Consequentemente, o gengibre é especialmente útil para pessoas com artrite, dores musculares e inflamação crónica de baixo grau. Para além disso, ao contrário dos anti-inflamatórios convencionais, o gengibre não causa irritação gástrica quando consumido nas doses recomendadas. Do mesmo modo, não causa dependência nem efeitos secundários significativos a longo prazo. Além disso, o uso regular de gengibre pode contribuir para a prevenção de doenças inflamatórias crónicas. Assim sendo, é uma alternativa natural especialmente interessante para quem precisa de controlar a inflamação a longo prazo sem recorrer a medicamentos.

4. Acelera o metabolismo e favorece o emagrecimento

O gingerol tem propriedades termogénicas comprovadas que aumentam a temperatura corporal. Consequentemente, o organismo acelera o metabolismo e passa a gastar mais energia em repouso. Neste sentido, este aumento do gasto calórico pode contribuir significativamente para a perda de peso ao longo do tempo. Para além disso, o gengibre aumenta a sensação de saciedade, reduzindo assim a ingestão calórica ao longo do dia. Do mesmo modo, ao melhorar a digestão e reduzir a inflamação, cria condições mais favoráveis para o emagrecimento. Além disso, dado que a inflamação crónica é um dos fatores que mais dificulta a perda de peso, o efeito anti-inflamatório do gengibre é especialmente importante neste contexto. Assim sendo, o gengibre atua em várias frentes em simultâneo para facilitar o processo de emagrecimento. Por fim, podes encontrar mais informação no nosso artigo sobre as 8 receitas de chás para emagrecer, onde o gengibre é um dos ingredientes principais.

5. Combate infeções e fortalece o sistema imunitário

O gengibre tem propriedades antimicrobianas e imunoestimulantes comprovadas contra vários agentes patogénicos. De facto, estudos demonstraram que o extrato de gengibre inibe o crescimento de bactérias como o Staphylococcus aureus. Além disso, inibe também vírus respiratórios comuns responsáveis por constipações e gripes. Consequentemente, é especialmente útil nos meses de outono e inverno para prevenir e tratar infeções respiratórias. Neste sentido, ao contrário de muitos remédios para a constipação que apenas aliviam os sintomas, o gengibre atua diretamente sobre os agentes causadores da doença. Para além disso, o gengibre combina muito bem com o eucalipto e a echinacea para um suporte imunitário mais completo. Do mesmo modo, esta combinação de três plantas cobre simultaneamente a estimulação imunitária, a proteção respiratória e o efeito antimicrobiano. Assim sendo, podes encontrar mais informação no nosso artigo sobre a echinacea e os seus benefícios.

6. Alivia dores de cabeça e enxaquecas

O gingerol tem propriedades que inibem a produção de prostaglandinas. De facto, estas são as substâncias responsáveis pela dor e pela inflamação dos vasos sanguíneos que causam enxaquecas. Neste sentido, um estudo publicado no Phytotherapy Research demonstrou que o gengibre é eficaz no alívio de enxaquecas. Além disso, os resultados foram comparáveis aos do sumatriptano — um medicamento convencional para enxaquecas. Consequentemente, o chá de gengibre é um dos remédios naturais mais eficazes para as dores de cabeça tensionais e as enxaquecas leves a moderadas. Para além disso, ao contrário de muitos analgésicos convencionais, o gengibre não causa dependência. Do mesmo modo, não provoca efeitos secundários significativos quando consumido nas doses recomendadas. Assim sendo, é uma alternativa natural especialmente interessante para quem sofre de enxaquecas recorrentes e quer reduzir o consumo de medicamentos convencionais.

7. Regula os níveis de açúcar no sangue

O gengibre tem propriedades hipoglicemiantes comprovadas que ajudam a regular os níveis de açúcar no sangue. De facto, estudos demonstraram que o consumo regular de gengibre melhora a sensibilidade à insulina. Além disso, reduz os picos de glicemia após as refeições, o que é especialmente importante para quem tem dificuldade em controlar os níveis de açúcar. Consequentemente, é especialmente útil para pessoas com diabetes tipo 2 ou pré-diabetes. Neste sentido, ao atuar diretamente na sensibilidade à insulina, o gengibre combate uma das principais causas do excesso de açúcar no sangue. Para além disso, ao reduzir os picos de glicemia após as refeições, contribui também indiretamente para o controlo do peso. No entanto, dado que pode potenciar o efeito dos medicamentos antidiabéticos, o seu consumo deve ser sempre acompanhado por um médico nestes casos. Assim sendo, nunca substituas a medicação pelo gengibre sem orientação médica.

8. Protege o coração e reduz o colesterol

O gengibre tem propriedades cardioprotetoras que contribuem para a saúde cardiovascular de várias formas em simultâneo. De facto, reduz os níveis de colesterol LDL e triglicéridos. Além disso, inibe a agregação plaquetária, reduzindo assim o risco de coágulos sanguíneos. Do mesmo modo, tem propriedades anti-hipertensoras suaves que contribuem para a manutenção de uma pressão arterial saudável. Consequentemente, o consumo regular de gengibre pode contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares como o enfarte do miocárdio e o AVC. Neste sentido, poucas plantas medicinais conseguem atuar em tantos fatores de risco cardiovascular em simultâneo. Para além disso, as suas propriedades antioxidantes protegem os vasos sanguíneos do dano oxidativo. Assim sendo, contribuem para a manutenção de uma saúde cardiovascular ótima a longo prazo. Por isso, o gengibre é especialmente recomendado para pessoas com predisposição para doenças cardiovasculares.


História do gengibre — 5.000 anos de medicina e culinária

O gengibre tem uma história medicinal fascinante que percorre mais de 5.000 anos e atravessa praticamente todas as grandes civilizações. De facto, os primeiros registos do uso medicinal do gengibre remontam à medicina ayurvédica indiana e à medicina tradicional chinesa, onde era considerado um remédio quase universal.

O gengibre na medicina tradicional

Na medicina tradicional da Índia, do Oriente Médio e da Ásia, o gengibre desempenhou sempre um papel essencial. De facto, as medicinas tradicionais destas regiões utilizavam-no principalmente como agente de aquecimento. Neste sentido, os médicos tradicionais recorriam ao gengibre para promover a circulação, aliviar cólicas e combater o frio interno. Consequentemente, tornou-se numa adição clássica a fórmulas medicinais que precisam de uma qualidade de aquecimento e estimulação. Para além disso, na medicina ayurvédica indiana, o gengibre era considerado um “remédio universal” — tão versátil que tinha um nome especial: vishwabhesaj, que significa literalmente “remédio do mundo”. Do mesmo modo, na medicina tradicional chinesa, o gengibre fresco e o gengibre seco eram considerados dois remédios diferentes, dado que têm propriedades ligeiramente distintas. Assim sendo, a distinção entre gengibre fresco e seco que a ciência moderna confirmou já era conhecida pelos médicos tradicionais há milhares de anos..

O gengibre na culinária internacional

Para além dos seus usos medicinais, o gengibre é também um dos ingredientes culinários mais versáteis do mundo. De facto, cada cultura encontrou formas únicas de o incorporar na sua gastronomia. Por exemplo, na culinária indiana é infundido no masala chai — o chá especiado mais popular do mundo. No Japão, o gengibre é conhecido como gari em conserva — as lâminas rosadas e picantes servidas com sushi. Na Jamaica, podes encontrá-lo numa refrescante cerveja de gengibre sem álcool. Assim sendo, o gengibre é provavelmente a especiaria com maior presença em cozinhas de todo o mundo.


Como usar o gengibre — 4 receitas

chá de gengibre

1. Chá de gengibre simples — para a digestão e náuseas

Ingredientes:

  • 1 a 2 cm de raiz de gengibre fresco descascado e fatiado
  • 250 ml de água

Modo de preparação: Colocar o gengibre e a água numa panela e levar ao lume. De seguida, deixar ferver durante 5 a 10 minutos para extrair bem os compostos ativos. Por fim, apagar o fogo, coar e beber morno. Podes consumir até 3 a 4 chávenas por dia.

💡 Dica: Quanto mais tempo o gengibre ferve, mais picante e potente fica o chá. Para um sabor mais suave, usa menos gengibre ou ferve durante menos tempo.

2. Chá de gengibre com limão e mel — para constipações

Esta combinação é especialmente eficaz para constipações e dores de garganta, dado que o limão e o mel complementam as propriedades antimicrobianas do gengibre.

Ingredientes:

  • 2 cm de raiz de gengibre fresco fatiado
  • Sumo de ½ limão
  • 1 colher de chá de mel
  • 250 ml de água

Modo de preparação: Ferver a água com o gengibre durante 5 minutos. De seguida, apagar o fogo e deixar arrefecer ligeiramente. Por fim, adicionar o sumo de limão e o mel — nunca com a água a ferver, dado que o calor destrói as propriedades do mel e da vitamina C do limão.

3. Chá de gengibre com canela — para emagrecer e acelerar o metabolismo

Esta combinação potencia o efeito termogénico do gengibre com o efeito hipoglicemiante da canela, tornando-a especialmente eficaz para o emagrecimento.

Ingredientes:

  • 2 cm de raiz de gengibre fresco fatiado
  • 1 pau de canela
  • 250 ml de água

Modo de preparação: Ferver a água com o gengibre e a canela durante 10 minutos. De seguida, apagar o fogo e deixar repousar 5 minutos. Por fim, coar e beber morno, preferencialmente antes das refeições ou antes do exercício físico.

4. Água de gengibre fria — para o verão

Ingredientes:

  • 3 a 4 cm de raiz de gengibre fresco fatiado
  • 1 litro de água
  • Sumo de 1 limão
  • Folhas de hortelã a gosto

Modo de preparação: Ferver a água com o gengibre durante 10 minutos. De seguida, deixar arrefecer completamente e colocar no frigorífico. Por fim, adicionar o sumo de limão e as folhas de hortelã antes de servir com gelo.


Contraindicações do gengibre — quem não deve usar

Apesar dos seus inúmeros benefícios, o gengibre não é adequado para toda a gente. Por isso, é essencial conhecer as contraindicações antes de iniciar o consumo regular. Neste sentido, se tiveres alguma condição de saúde pré-existente, consulta sempre um médico antes de iniciar o consumo.

O gengibre não é recomendado para pessoas com pedras na vesícula biliar, dado que estimula a produção de bílis e pode provocar cólicas. Além disso, pessoas com doenças hemorrágicas ou que tomam anticoagulantes devem evitar o seu consumo. De facto, o gengibre inibe a agregação plaquetária e pode aumentar o risco de hemorragias. Consequentemente, é especialmente importante consultar um médico antes de usar gengibre regularmente se tomares medicamentos como a varfarina ou a aspirina.

Por outro lado, grávidas podem consumir gengibre em doses moderadas para as náuseas matinais. No entanto, devem evitar doses elevadas — superiores a 1 grama por dia. De facto, doses elevadas podem estimular contrações uterinas, dado que o gengibre tem propriedades uterotónicas em quantidades elevadas. Do mesmo modo, pessoas com diabetes ou hipertensão devem consultar um médico antes de consumir gengibre regularmente, pois pode interferir com os medicamentos utilizados no tratamento destas condições. Assim sendo, em caso de dúvida, consulta sempre um profissional de saúde.


Possíveis efeitos secundários do gengibre

Quando consumido nas doses recomendadas, o gengibre é seguro para a maioria das pessoas saudáveis. No entanto, em casos de consumo excessivo ou de sensibilidade individual, podem surgir alguns efeitos secundários. Neste sentido, os mais comuns incluem azia, irritação gástrica e diarreia. Para além disso, em pessoas mais sensíveis, o gengibre pode causar reações alérgicas na pele quando aplicado topicamente. Consequentemente, começa sempre com doses pequenas e aumenta gradualmente, observando a reação do teu organismo.


Perguntas frequentes sobre o gengibre

Para que serve o gengibre?

O gengibre serve principalmente para aliviar náuseas, melhorar a digestão, combater inflamações, acelerar o metabolismo e fortalecer o sistema imunitário. De facto, é uma das plantas medicinais mais versáteis disponíveis, com benefícios comprovados para praticamente todos os sistemas do organismo. Consequentemente, é especialmente útil para quem quer melhorar a saúde digestiva e imunitária de forma natural.

O gengibre emagrece?

Sim, o gengibre pode ajudar no emagrecimento graças às suas propriedades termogénicas e saciantes. De facto, o gingerol aumenta a temperatura corporal e acelera o metabolismo, contribuindo assim para um maior gasto calórico. No entanto, tal como qualquer outra planta medicinal, não é uma solução milagrosa — os melhores resultados obtêm-se quando associado a uma alimentação equilibrada e exercício físico.

O gengibre é seguro durante a gravidez?

Sim, o gengibre é seguro durante a gravidez em doses moderadas — até 1 grama por dia — e é especialmente eficaz para as náuseas matinais. No entanto, doses superiores devem ser evitadas, dado que podem estimular contrações uterinas. Além disso, é sempre importante consultar um médico antes de usar gengibre como remédio durante a gravidez.

Quantas chávenas de chá de gengibre posso beber por dia?

A dose recomendada é de 3 a 4 chávenas por dia, consumidas preferencialmente entre as refeições ou após as refeições principais. No entanto, dado que o gengibre tem propriedades ativas potentes, é importante não ultrapassar este limite. Além disso, pessoas com sensibilidade gástrica devem começar com 1 chávena por dia e aumentar gradualmente.

Qual é a diferença entre gengibre fresco e gengibre seco?

O gengibre fresco é mais rico em gingerol — especialmente eficaz para as náuseas e a digestão. Por outro lado, o gengibre seco tem uma concentração mais elevada de shogaol — mais potente como anti-inflamatório. Consequentemente, para náuseas e digestão usa gengibre fresco. Para inflamação crónica e dores articulares, o gengibre seco ou em pó é mais indicado.

Posso dar chá de gengibre a crianças?

O chá de gengibre pode ser dado a crianças com mais de 2 anos em doses muito reduzidas. No entanto, dado que o gengibre é uma especiaria picante, algumas crianças podem não tolerar bem o seu sabor ou a sua intensidade. Assim sendo, começa sempre com uma quantidade muito pequena e dilui bem o chá antes de dar a uma criança.


Fontes científicas e referências

Gengibre e náuseas na gravidez

Viljoen, E., et al. (2014). A systematic review and meta-analysis of the effect and safety of ginger in the treatment of pregnancy-associated nausea and vomiting. Nutrition Journal, 13, 20. Nesta meta-análise, os autores confirmaram que o gengibre é eficaz e seguro para o tratamento das náuseas e vómitos da gravidez. Consequentemente, os investigadores identificaram o gengibre como uma das alternativas naturais mais bem documentadas para este problema.

Gengibre e propriedades anti-inflamatórias

Grzanna, R., et al. (2005). Ginger — an herbal medicinal product with broad anti-inflammatory actions. Journal of Medicinal Food, 8(2), 125–132. Nesta revisão abrangente, os autores demonstraram que o gingerol e o shogaol inibem a produção de substâncias inflamatórias de forma comparável a alguns anti-inflamatórios convencionais. Além disso, os resultados confirmaram que o gengibre é especialmente eficaz para a artrite e as dores musculares.

Gengibre e metabolismo

Mansour, M. S., et al. (2012). Ginger consumption enhances the thermic effect of food and promotes feelings of satiety without affecting metabolic and hormonal parameters in overweight men. Metabolism, 61(10), 1347–1352. Neste estudo, os autores demonstraram que o consumo de gengibre aumenta o efeito térmico dos alimentos e promove a saciedade. Consequentemente, o gengibre foi confirmado como um dos ingredientes termogénicos naturais mais eficazes disponíveis.

Gengibre e enxaquecas

Mustafa, T., & Srivastava, K. C. (1990). Ginger (Zingiber officinale) in migraine headache. Journal of Ethnopharmacology, 29(3), 267–273. Neste estudo, os autores demonstraram que o gengibre é eficaz no alívio das enxaquecas graças à sua capacidade de inibir a produção de prostaglandinas. Para além disso, os resultados indicaram que o gengibre tem uma ação preventiva nas enxaquecas recorrentes quando consumido regularmente.

Gengibre e colesterol

Alizadeh-Navaei, R., et al. (2008). Investigation of the effect of ginger on the lipid levels. Saudi Medical Journal, 29(9), 1280–1284. Neste ensaio clínico, os autores demonstraram que o consumo regular de gengibre reduz significativamente os níveis de colesterol LDL e triglicéridos. Consequentemente, o gengibre foi identificado como um aliado natural importante na prevenção de doenças cardiovasculares.


📚 Nota editorial: As referências acima provêm de estudos científicos que passaram por revisão de pares e que investigadores publicaram em revistas indexadas. Alguns estudos foram realizados em populações específicas e os resultados podem variar consoante o indivíduo. Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico profissional.


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