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13 Plantas Medicinais: Benefícios, Para que Servem e Como Usar

Sabes que muitos dos medicamentos que tomas têm origem em plantas? De facto, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 11% dos 252 medicamentos considerados básicos e essenciais pela organização são exclusivamente de origem vegetal. Consequentemente, as plantas medicinais são muito mais do que um remédio caseiro — são a base de grande parte da medicina moderna.

Para além disso, muitas das plantas que usas diariamente na cozinha — como o alho, o gengibre, o tomilho e a salsa — têm propriedades medicinais comprovadas cientificamente que vão muito além do sabor. Do mesmo modo, plantas como a camomila, a lavanda e a erva-cidreira são utilizadas há séculos para tratar problemas de saúde que a medicina convencional trata hoje com medicamentos sintéticos. De facto, este é um dos aspectos mais fascinantes da fitoterapia moderna — a ciência está a confirmar aquilo que a sabedoria popular já sabia há gerações. Consequentemente, incluir estas plantas na tua rotina diária pode ser uma forma simples, económica e eficaz de melhorar a saúde e o bem-estar de forma natural. Assim sendo, neste artigo apresentamos as 13 plantas medicinais mais úteis e acessíveis, para que possas começar a beneficiar das suas propriedades o mais rapidamente possível.

⚠️ Aviso: Este artigo tem fins exclusivamente informativos e, por isso, não substitui o aconselhamento de um médico ou nutricionista qualificado. Assim sendo, consulta sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação com plantas medicinais, especialmente se tomares medicação ou tiveres condições de saúde pré-existentes.


Neste artigo encontras as 13 plantas medicinais mais úteis e acessíveis, com os seus principais benefícios, como usar cada uma, as doses recomendadas e as contraindicações importantes. Além disso, sempre que existir um artigo mais detalhado no nosso site sobre cada planta, encontrarás o respetivo link para aprofundares o tema.

💡 Nota importante: As plantas medicinais são um complemento — e não um substituto — dos tratamentos médicos convencionais. Assim sendo, se estiveres a fazer tratamento médico, não o substituas por plantas medicinais sem consultar o teu médico. Para que o uso de plantas medicinais seja eficaz e seguro, é necessário ingerir quantidades específicas e bem controladas, idealmente sob orientação de um profissional de saúde com experiência em fitoterapia.


Tabela comparativa das 13 plantas medicinais

PlantaPrincipal benefícioForma de usoContraindicações
Dente-de-leãoDiurético, desintoxicanteChá, saladasAlergia às asteráceas
Erva-cidreiraCalmante, digestivoCháGravidez
LavandaAnsiolítico, anti-inflamatórioChá, aromaterapiaGravidez, úlceras
AçafrãoAntioxidante, anti-inflamatórioEspeciaria, cháGravidez, anticoagulantes
CamomilaCalmante, antiespasmódicoCháAlergia às asteráceas
AlhoAntimicrobiano, cardiovascularCulinária, cháAnticoagulantes
GengibreTermogénico, digestivoChá, culináriaGravidez, anticoagulantes
ManjericãoAntioxidante, digestivoCulinária, cháGravidez
AlecrimCirculação, memóriaCulinária, cháGravidez, epilepsia
TomilhoAntibacteriano, respiratórioCulinária, cháGravidez
BoldoDigestivo, hepáticoCháGravidez, doenças hepáticas graves
Erva-doceCalmante, digestivoCháGravidez, bebés (doses elevadas)
SalsaAntioxidante, digestivoCulinária, cháGravidez, problemas renais

As 13 plantas medicinais mais úteis e como usar

1. Dente-de-leão — diurético e desintoxicante

O dente-de-leão (Taraxacum officinale) é uma das plantas medicinais mais completas do ponto de vista nutricional, uma vez que apresenta uma excelente concentração de vitaminas A, B6 e C, minerais e proteínas. De facto, a alta concentração de betacaroteno e ácido ascórbico produz um potente efeito antioxidante que protege as células do dano oxidativo. Consequentemente, o dente-de-leão é especialmente eficaz como diurético natural, ajudando a prevenir cálculos biliares e a limpar o organismo de toxinas acumuladas.

Para além disso, o chá de dente-de-leão está associado ao emagrecimento, uma vez que o seu efeito diurético ajuda a eliminar o excesso de líquidos que contribui para o excesso de peso. Consequentemente, é especialmente útil para pessoas que retêm líquidos com facilidade ou que sentem a barriga inchada ao final do dia. Do mesmo modo, as folhas jovens desta planta são saborosas e podem ser incluídas em saladas, tornando-a assim numa das plantas medicinais mais versáteis e acessíveis disponíveis. Por fim, dado que o dente-de-leão cresce espontaneamente em jardins e campos, é também uma das plantas medicinais mais económicas e fáceis de encontrar na natureza.

Como usar: Prepara o chá com 2 colheres de sopa de folhas de dente-de-leão para uma chávena de água fervente. Deixa repousar 10 minutos, coa e bebe. Podes também adicionar as folhas jovens em saladas.

⚠️ Contraindicações: Deve ser evitado por pessoas com alergia a plantas da família das asteráceas, como margaridas ou crisântemos. Além disso, pessoas com pedras na vesícula devem consultar um médico antes de consumir regularmente.


2. Erva-cidreira — calmante e digestiva

A erva-cidreira (Melissa officinalis) é uma das plantas medicinais mais populares em Portugal, conhecida principalmente pelas suas propriedades calmantes e digestivas. De facto, os estudos científicos confirmam que a erva-cidreira tem propriedades ansiolíticas que ajudam a reduzir a ansiedade e a melhorar a qualidade do sono. Consequentemente, é especialmente útil para pessoas que sofrem de insónia, stress ou ansiedade crónica.

Para além disso, a erva-cidreira tem propriedades que melhoram a má digestão, controlam a pressão arterial e aliviam as dores de cabeça tensionais. Do mesmo modo, é eficaz no combate à perda de apetite associada ao stress e à ansiedade, tornando-a assim numa das plantas mais completas para o bem-estar geral. Consequentemente, quem sofre de stress crónico pode beneficiar especialmente do consumo regular de erva-cidreira, dado que atua simultaneamente em vários dos sintomas mais comuns desta condição. Além disso, ao contrário de muitos medicamentos ansiolíticos convencionais, a erva-cidreira não causa dependência nem sonolência excessiva quando consumida nas doses recomendadas. Por isso, é uma das plantas medicinais mais recomendadas para quem procura uma alternativa natural e segura para gerir o stress do dia a dia.

Como usar: Prepara o chá com 2 colheres de chá de folhas para cada chávena de água. Alternativamente, podes colocar as folhas diretamente num recipiente com água a ferver durante 10 a 20 minutos.

⚠️ Contraindicações: Não deve ser usada por grávidas, pois pode estimular contrações uterinas. Além disso, pessoas com problemas de tiroide devem consultar um médico antes de consumir regularmente.


3. Lavanda — ansiolítica e anti-inflamatória

A lavanda (Lavandula angustifolia) é muito mais do que uma planta decorativa — é uma das plantas medicinais com propriedades ansiolíticas mais bem documentadas pela ciência. De facto, estudos confirmam que os compostos ativos da lavanda reduzem os níveis de cortisol — a hormona do stress — contribuindo assim para a redução da ansiedade e a melhoria da qualidade do sono.


Para além disso, a lavanda tem propriedades anti-inflamatórias que ajudam a aliviar tensões musculares, acne e inflamações na pele. Do mesmo modo, é amplamente utilizada em aromaterapia e em produtos cosméticos e de limpeza naturais, dado que o seu aroma tem um efeito calmante comprovado sobre o sistema nervoso. Consequentemente, é uma das plantas medicinais mais versáteis, podendo assim ser usada tanto internamente como externamente consoante o objetivo pretendido. Para além disso, ao contrário de muitas outras plantas medicinais, a lavanda pode ser usada de formas muito diversas — em chá, em banho, em difusor de aromas ou em óleo essencial — o que a torna especialmente acessível para qualquer pessoa.

Como usar: Prepara o chá fervendo 10 gramas ou 2 colheres de folhas secas picadas para cada meio litro de água. De seguida, para aromaterapia, usa as flores secas no banho ou num difusor de aromas. Por fim, podes também encontrar mais informação no nosso artigo sobre os 9 chás para emagrecer e secar a barriga, onde a lavanda é analisada em detalhe.

⚠️ Contraindicações: Não recomendada para grávidas e mulheres a amamentar. Além disso, deve ser evitada por pessoas com úlceras no estômago.


4. Açafrão — antioxidante e anti-inflamatório

O açafrão verdadeiro (Crocus sativus) é uma das especiarias mais valiosas do mundo, utilizado há mais de 4.000 anos tanto na culinária como na medicina tradicional. De facto, é extraído dos estigmas das flores de Crocus sativus e contém compostos bioativos únicos como a crocina, o safranal e a picrocrocina, que lhe conferem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias excecionais. Além disso, dado que cada flor produz apenas 3 estigmas, são necessárias cerca de 150.000 flores para produzir 1 kg de açafrão seco — o que explica o seu elevado valor no mercado. Consequentemente, o açafrão é frequentemente falsificado ou adulterado, pelo que é importante comprá-lo sempre em fontes certificadas para garantir as suas propriedades medicinais. Assim sendo, ao adquirires açafrão de qualidade, estás a investir numa das especiarias medicinais mais poderosas e bem documentadas da história da humanidade.

Consequentemente, o açafrão é especialmente útil para pessoas com artrite e outras condições inflamatórias, dado que os seus compostos ativos inibem a produção de substâncias inflamatórias. Para além disso, alguns estudos sugerem que o açafrão pode ter propriedades antidepressivas e neuroprotetoras, tornando-o numa das especiarias mais estudadas pela medicina integrativa moderna.

Como usar: O açafrão é usado principalmente como especiaria em pratos como o arroz, sopas e guisados. Para além disso, podes também preparar um chá adicionando uma pitada de açafrão a uma chávena de água quente com mel e limão. Dado que a crocina é solúvel em água, esta forma de consumo preserva bem as suas propriedades medicinais. Consequentemente, beber um chá de açafrão com mel e limão de manhã pode ser uma forma simples e agradável de beneficiar das suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias ao longo do dia.

⚠️ Contraindicações: Não recomendado para grávidas em doses elevadas, pois pode estimular contrações uterinas. Além disso, pessoas que tomam anticoagulantes devem consultar um médico antes de consumir regularmente.


5. Camomila — calmante e antiespasmódica

A camomila (Matricaria chamomilla) é uma das plantas medicinais mais estudadas e utilizadas no mundo. De facto, há diversos estudos que confirmam as suas propriedades calmantes e ansiolíticas, demonstrando que os seus compostos ativos — nomeadamente a apigenina — se ligam aos recetores de benzodiazepinas no cérebro, produzindo um efeito calmante natural.

Para além disso, a camomila é amplamente utilizada para combater cólicas menstruais, aliviar a insónia e reduzir o stress. Consequentemente, é especialmente útil para crianças e adultos que procuram uma alternativa natural aos medicamentos ansiolíticos. Do mesmo modo, investigações recentes revelaram o seu potencial em tratamentos anticancro, dado que a apigenina demonstrou propriedades antiproliferativas em vários tipos de células cancerígenas. Neste sentido, uma vez que a apigenina atua diretamente nas células cancerígenas sem danificar as células saudáveis, representa um campo de investigação muito promissor para a medicina oncológica. Para além disso, ao contrário de muitos medicamentos ansiolíticos convencionais, a camomila não causa dependência nem efeitos secundários graves quando consumida nas doses recomendadas. Assim sendo, é uma das plantas medicinais mais seguras e bem toleradas disponíveis, adequada para praticamente toda a família.

Como usar: Prepara o chá com 1 colher de sopa de flores de camomila seca para uma chávena de água fervente. Deixa repousar 5 a 10 minutos, coa e bebe. Podes consumir até 3 chávenas por dia.

⚠️ Contraindicações: Deve ser evitada por pessoas com alergia a plantas da família das asteráceas. Além disso, pessoas que tomam anticoagulantes devem ter precaução, dado que a camomila pode potenciar o efeito destes medicamentos.


6. Alho — antimicrobiano e cardiovascular

O alho (Allium sativum) é uma das plantas medicinais mais utilizadas e estudadas do mundo, com uma história de uso medicinal que remonta a mais de 5.000 anos. De facto, o seu principal composto ativo — a alicina — tem propriedades antimicrobianas comprovadas contra bactérias, vírus e fungos. Consequentemente, o alho é amplamente utilizado para reduzir o colesterol LDL e a pressão arterial, ajudando assim a prevenir doenças cardiovasculares como o enfarte do miocárdio e o AVC.

Neste sentido, uma vez que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal e no mundo, o consumo regular de alho pode desempenhar um papel preventivo importante. Para além disso, é importante referir que a alicina só é libertada quando o alho é esmagado ou cortado — dado que a enzima responsável pela sua produção está separada do seu precursor nas células intactas. Assim sendo, para maximizar as propriedades medicinais do alho, deves sempre esmagá-lo ou picá-lo antes de consumir, deixando repousar alguns minutos antes de o adicionar às refeições.

Outros benefícios do alho para a saúde

Para além disso, o alho melhora a saúde digestiva ao estimular a produção de enzimas digestivas e ao equilibrar a microbiota intestinal. Do mesmo modo, alguns estudos sugerem que o consumo regular de alho pode ter propriedades imunoestimulantes, ajudando a prevenir gripes e infeções respiratórias.

Como usar: Usa o alho para temperar as refeições, fazer molhos, patés e chá. Para maximizar as propriedades medicinais, consome-o cru ou ligeiramente cozinhado, dado que o calor excessivo destrói a alicina. Além disso, como referimos anteriormente, deves sempre esmagar ou picar o alho antes de consumir e deixar repousar 5 a 10 minutos antes de o adicionar às refeições. Consequentemente, este simples hábito pode aumentar significativamente a quantidade de alicina disponível e, por isso, potenciar os seus benefícios medicinais. Por fim, se não tolerares o sabor intenso do alho cru, podes optar pelas cápsulas de extrato de alho envelhecido, que mantêm as propriedades medicinais sem o odor característico.

⚠️ Contraindicações: Pessoas que tomam anticoagulantes devem ter precaução, pois o alho pode aumentar o risco de hemorragias. Além disso, o consumo excessivo pode causar irritação gástrica em pessoas com gastrite.


7. Gengibre — termogénico e digestivo

O gengibre (Zingiber officinale) é uma das plantas medicinais mais versáteis e eficazes disponíveis, com um vasto leque de benefícios comprovados cientificamente. De facto, o seu composto ativo — o gingerol — tem propriedades termogénicas, anti-inflamatórias e antieméticas que o tornam num aliado para inúmeras condições de saúde.

Consequentemente, o gengibre é amplamente utilizado para aliviar náuseas e enjoos, combater sintomas de gripe e constipações, e acelerar o metabolismo. Neste sentido, uma vez que o gingerol atua diretamente nos recetores do sistema digestivo e nervoso, os seus efeitos antieméticos são especialmente pronunciados em casos de enjoo de movimento, náuseas durante a gravidez e efeitos secundários da quimioterapia. Para além disso, ao contrário de muitos medicamentos antieméticos convencionais, o gengibre não causa sonolência nem outros efeitos secundários significativos quando consumido nas doses recomendadas. Assim sendo, é uma das plantas medicinais mais seguras e eficazes para tratar náuseas e enjoos em pessoas de todas as idades.

Para além disso, alguns estudos demonstraram que o gengibre pode aumentar a sensação de saciedade e potenciar a queima de gordura, tornando-o num aliado natural no processo de emagrecimento. Podes encontrar mais informação no nosso artigo sobre as receitas de chás para emagrecer, onde o gengibre é um dos ingredientes principais.

Como usar: O gengibre pode ser usado em chá, adicionado a sumos, batidos ou utilizado como tempero nas refeições. Para preparar o chá, ferve uma rodela de gengibre fresco numa chávena de água durante 5 a 10 minutos.

⚠️ Contraindicações: Deve ser evitado por grávidas e mulheres a amamentar. Além disso, pessoas com pedras na vesícula ou que tomam anticoagulantes devem consultar um médico antes de consumir regularmente.


8. Manjericão — antioxidante e digestivo

O manjericão (Ocimum basilicum) é muito mais do que um simples tempero culinário — é uma planta medicinal rica em vitaminas e minerais essenciais, nomeadamente vitamina K e ferro. De facto, os seus compostos antioxidantes combatem os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento celular e pelo enfraquecimento do sistema imunitário. Consequentemente, o consumo regular de manjericão pode ajudar a reduzir o stress oxidativo e a prevenir doenças crónicas.

Para além disso, o manjericão tem propriedades que ajudam a reduzir o stress, fortalecer os ossos e o fígado, aumentar a imunidade e melhorar a digestão. Do mesmo modo, alguns estudos relacionam esta planta com a redução da perda de memória associada ao envelhecimento e à redução da depressão relacionada com o stress crónico.

Como usar: O manjericão é usado principalmente na culinária — em massas, saladas e molhos. Para uso medicinal, podes preparar um chá com 1 colher de sopa de folhas frescas para uma chávena de água fervente.

⚠️ Contraindicações: Não recomendado para grávidas em doses elevadas. Além disso, pessoas que tomam anticoagulantes devem ter precaução, dado que o manjericão contém vitamina K em quantidades elevadas.


9. Alecrim — memória e circulação

O alecrim (Rosmarinus officinalis) é uma das plantas medicinais mais aromáticas e benéficas para o sistema nervoso e cardiovascular. De facto, uma investigação publicada no Therapeutic Advances in Psychopharmacology demonstrou que o simples aroma do alecrim pode melhorar a concentração, o desempenho cognitivo e a velocidade de processamento mental. Consequentemente, o alecrim é especialmente útil para estudantes e profissionais que necessitam de manter um elevado nível de concentração ao longo do dia.

Para além disso, o alecrim é rico em vitaminas e minerais que ajudam a melhorar a circulação sanguínea, reduzir a inflamação e estimular o crescimento do cabelo. Do mesmo modo, os seus compostos antioxidantes protegem as células do envelhecimento precoce, tornando-o numa das plantas medicinais mais completas para o bem-estar geral.

Como usar: O alecrim pode ser usado como tempero nas refeições, em chá ou em aromaterapia. Para preparar o chá, ferve 1 colher de chá de folhas secas numa chávena de água durante 5 minutos.

⚠️ Contraindicações: Não recomendado para grávidas em doses elevadas. Além disso, pessoas com epilepsia devem evitar o seu consumo, dado que o alecrim pode ter propriedades convulsivantes em doses elevadas.


10. Tomilho — antibacteriano e respiratório

O tomilho (Thymus vulgaris) é uma erva culinária muito popular que tem também propriedades medicinais comprovadas, nomeadamente antifúngicas e antibacterianas. De facto, o seu composto ativo — o timol — tem propriedades antimicrobianas que ajudam a prevenir infeções, acalmar dores de garganta e tosse, e tratar problemas respiratórios como a bronquite. Consequentemente, os fabricantes de xaropes e remédios naturais para a tosse utilizam amplamente o tomilho nas suas formulações em toda a Europa. Para além disso, dado que o timol penetra facilmente nas membranas bacterianas e as destrói, o tomilho é especialmente eficaz contra bactérias resistentes a antibióticos convencionais. Assim sendo, o tomilho representa uma alternativa natural promissora no combate a infeções respiratórias, especialmente nos meses de outono e inverno.

Para além disso, cientistas testaram os efeitos do tomilho na bactéria responsável pela acne — Propionibacterium acnes — e descobriram que pode ser eficaz no seu tratamento. Do mesmo modo, melhora a circulação sanguínea e tem propriedades antioxidantes que protegem as células do dano oxidativo.

Aqui está a secção corrigida para voz ativa:


Como usar: Usa o tomilho para temperar carnes, sopas e legumes — é uma forma simples e saborosa de beneficiar das suas propriedades medicinais no dia a dia. Para uso medicinal, prepara um chá com 1 colher de chá de tomilho seco para uma chávena de água fervente, deixa repousar 10 minutos e coa. Além disso, podes também gargarejar com o chá de tomilho morno para aliviar rapidamente as dores de garganta, dado que o timol atua diretamente na mucosa inflamada. Consequentemente, esta é uma das formas mais eficazes de aproveitar as propriedades antibacterianas do tomilho de forma imediata.

⚠️ Contraindicações: Não recomendado para grávidas em doses elevadas. Além disso, pessoas com alergia às lamiáceas devem ter precaução.


11. Boldo — digestivo e hepático

O boldo (Peumus boldus), também conhecido como boldo-do-chile, é uma das plantas medicinais mais utilizadas em Portugal para problemas digestivos e hepáticos. De facto, os estudos associam o boldo a propriedades antioxidantes que combatem os radicais livres responsáveis pelo dano hepático. Consequentemente, médicos e fitoterapeutas utilizam tradicionalmente o chá de boldo e os seus óleos essenciais para auxiliar no tratamento de problemas digestivos e hepáticos. Para além disso, uma vez que o boldo estimula a produção de bílis e melhora o funcionamento do fígado, os profissionais de saúde recomendam-no especialmente para pessoas que sofrem de digestão lenta ou sensação de enfartamento após as refeições. Assim sendo, o boldo é uma das plantas medicinais mais indicadas para quem quer melhorar a saúde digestiva e hepática de forma natural e eficaz.

Para além disso, o boldo estimula a produção de bílis, melhorando assim a digestão de gorduras e contribuindo para o alívio de sintomas como a sensação de enfartamento e a azia após as refeições. Do mesmo modo, tem propriedades antiespasmódicas que ajudam a aliviar as cólicas intestinais.

Como usar: Prepara o chá com 1 colher de chá de folhas de boldo para uma chávena de água fervente. Deixa repousar 10 minutos, coa e bebe após as refeições.

⚠️ Contraindicações: Não recomendado para grávidas, uma vez que pode estimular contrações uterinas. Além disso, pessoas com doenças hepáticas graves devem evitar o seu consumo, dado que em doses elevadas pode ser hepatotóxico.


12. Erva-doce — calmante e digestiva

A erva-doce (Foeniculum vulgare) é uma das plantas medicinais com propriedades calmantes e digestivas mais suaves e seguras disponíveis. De facto, o seu uso mais comum e bem documentado é para aliviar cólicas em bebés, tornando-a numa das plantas medicinais mais utilizadas em pediatria. Consequentemente, é especialmente útil para toda a família, desde bebés a idosos.

Para além disso, alguns estudos sobre esta planta demonstraram que o extrato de erva-doce pode reduzir os défices de memória relacionados com o envelhecimento. Do mesmo modo, outras investigações observaram que pode aliviar as ondas de calor durante a menopausa, tornando-a num aliado natural importante para as mulheres em período de transição hormonal.

Como usar: Prepara o chá com 1 colher de chá de sementes de erva-doce para uma chávena de água fervente. Deixa repousar 10 minutos, coa e bebe. Para bebés, usa doses muito reduzidas e sempre sob orientação pediátrica.

⚠️ Contraindicações: Não recomendado para grávidas em doses elevadas. Além disso, bebés com menos de 6 meses devem receber doses muito pequenas e sempre sob orientação médica.


13. Salsa — antioxidante e digestiva

A salsa (Petroselinum crispum) é uma das plantas medicinais mais acessíveis e subestimadas, dado que a maioria das pessoas a usa principalmente como tempero culinário sem conhecer as suas propriedades medicinais. De facto, a salsa tem uma alta concentração de antioxidantes e vitamina K, tornando-a numa planta especialmente benéfica para a saúde óssea e digestiva. Consequentemente, o consumo regular de salsa pode contribuir para a prevenção da osteoporose e para a manutenção de uma boa saúde digestiva. Para além disso, uma vez que a salsa é uma das plantas mais fáceis de cultivar em casa — mesmo numa simples varanda — podes ter sempre à mão uma fonte fresca de propriedades medicinais. Assim sendo, incluir salsa fresca nas tuas refeições diárias é uma das formas mais simples e económicas de melhorar a saúde de forma natural.

Para além disso, a salsa tem propriedades diuréticas suaves que ajudam a eliminar o excesso de líquidos do organismo. Do mesmo modo, é rica em vitamina C e flavonoides que fortalecem o sistema imunitário e protegem as células do envelhecimento precoce.

Como usar: Usa a salsa principalmente para dar sabor às refeições — sopas, saladas, carnes e peixe. Para uso medicinal, prepara um chá com 1 colher de sopa de folhas frescas para uma chávena de água fervente. Além disso, podes também mastigar folhas frescas de salsa após as refeições, dado que ajuda a neutralizar o mau hálito e a estimular a digestão. Consequentemente, a salsa é uma das plantas medicinais mais fáceis de integrar na rotina diária, uma vez que podes usá-la tanto na culinária como em forma de chá sem qualquer esforço adicional.

⚠️ Contraindicações: Não recomendado para grávidas em doses elevadas, dado que pode estimular contrações uterinas. Além disso, pessoas com problemas renais devem ter precaução, pois a salsa tem propriedades diuréticas pronunciadas.


Como usar as plantas medicinais de forma segura

Para além de conheceres os benefícios de cada planta, é igualmente importante saberes como usá-las de forma segura e eficaz. Consequentemente, aqui ficam as regras mais importantes a seguir:

Em primeiro lugar, usa sempre as plantas medicinais com moderação — mesmo as plantas naturais podem causar efeitos secundários quando consumidas em excesso. Para além disso, não substituas os tratamentos médicos convencionais por plantas medicinais sem consultar o teu médico. Do mesmo modo, se estiveres grávida, a amamentar ou a tomar medicação, consulta sempre um médico ou farmacêutico antes de iniciar o consumo de qualquer planta medicinal. Por fim, compra sempre as plantas medicinais em fontes fiáveis como ervanários, farmácias ou lojas de produtos naturais certificados, para garantir a qualidade e a ausência de contaminantes.


Perguntas frequentes sobre plantas medicinais

Para que servem as plantas medicinais?

As plantas medicinais servem para tratar, prevenir ou aliviar uma grande variedade de problemas de saúde, graças aos seus compostos bioativos naturais. De facto, segundo a OMS, cerca de 80% da população mundial usa plantas medicinais como primeira linha de cuidados de saúde. Consequentemente, são um complemento valioso da medicina convencional, especialmente para condições crónicas de baixa gravidade como ansiedade, insónia, problemas digestivos e inflamação.

Quais são as plantas medicinais mais eficazes?

Depende do objetivo de cada pessoa. Por exemplo, para a ansiedade e insónia, a camomila, a erva-cidreira e a lavanda destacam-se como as mais eficazes. Para problemas digestivos, o boldo, a erva-doce e o gengibre são as melhores opções, dado que atuam diretamente no sistema digestivo e hepático. Por outro lado, para o emagrecimento, o gengibre, o dente-de-leão e a erva-mate são os aliados mais estudados pela ciência. Consequentemente, a escolha da planta deve ser sempre adaptada ao objetivo específico de cada pessoa. Assim sendo, se tiveres dúvidas sobre qual a planta mais adequada para o teu caso, consulta sempre um profissional de saúde com experiência em fitoterapia, dado que este pode recomendar a planta certa nas doses certas para o teu perfil de saúde específico.

As plantas medicinais têm efeitos secundários?

Sim, tal como qualquer substância ativa, as plantas medicinais podem causar efeitos secundários quando consumidas em excesso ou por pessoas com condições específicas de saúde. Para além disso, algumas plantas podem interagir com medicamentos. Assim sendo, é sempre importante consultar um profissional de saúde antes de iniciar o consumo regular, especialmente se tomares medicação.

Posso dar plantas medicinais a crianças?

Algumas plantas medicinais são seguras para crianças em doses adequadas — como a camomila e a erva-doce. No entanto, os pais não devem administrar a maioria das plantas medicinais a crianças sem orientação pediátrica, dado que as doses para adultos podem ser excessivas para organismos em desenvolvimento. Consequentemente, consulta sempre um pediatra antes de dar plantas medicinais a crianças. Para além disso, mesmo as plantas consideradas seguras para crianças, como a camomila e a erva-doce, devem ser administradas em doses muito mais reduzidas do que as doses para adultos. Assim sendo, uma regra prática é usar no máximo um quarto da dose recomendada para adultos em crianças com menos de 6 anos, e metade da dose em crianças entre os 6 e os 12 anos — sempre sob orientação médica.

Onde posso comprar plantas medicinais de qualidade?

Podes encontrar plantas medicinais de qualidade em ervanários, farmácias com secção de fitoterapia e lojas de produtos naturais certificados. Para além disso, alguns supermercados vendem plantas medicinais frescas ou secas de boa qualidade. No entanto, evita comprar plantas medicinais em fontes não certificadas, dado que podem estar contaminadas com pesticidas ou adulteradas.

Quanto tempo demoro a ver resultados com as plantas medicinais?

Depende da planta e do problema de saúde. Por exemplo, os efeitos calmantes da camomila e da erva-cidreira podes sentir na mesma noite em que as consomes. Por outro lado, os efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes do alho e do gengibre demoram mais a manifestar-se — geralmente entre 4 a 8 semanas de consumo regular. Consequentemente, a consistência e a regularidade do consumo são fundamentais para obteres resultados visíveis e duradouros. Para além disso, é importante não desistir ao fim de poucos dias se não sentires resultados imediatos, dado que muitas plantas medicinais precisam de tempo para acumular os seus compostos ativos no organismo. Assim sendo, mantém o consumo regular durante pelo menos 4 semanas antes de avaliares os resultados.


Fontes científicas e referências

Plantas medicinais e a OMS

World Health Organization (2002). WHO Traditional Medicine Strategy 2002–2005. Geneva: World Health Organization. Neste documento estratégico, a OMS reconhece formalmente o papel das plantas medicinais nos sistemas de saúde mundiais, confirmando que cerca de 11% dos medicamentos essenciais têm origem vegetal. Além disso, a OMS estima que 80% da população mundial usa plantas medicinais como primeira linha de cuidados de saúde.

Camomila e ansiedade

Amsterdam, J. D., et al. (2009). A randomized, double-blind, placebo-controlled trial of oral Matricaria recutita (chamomile) extract therapy for generalized anxiety disorder. Journal of Clinical Psychopharmacology, 29(4), 378–382. Neste ensaio clínico, os autores demonstraram que o extrato de camomila reduz significativamente os sintomas de ansiedade generalizada. Consequentemente, os investigadores identificaram a camomila como uma alternativa natural promissora aos ansiolíticos convencionais. Para além disso, dado que o ensaio seguiu um protocolo duplamente cego e controlado por placebo — o padrão de ouro da investigação clínica — os resultados são especialmente fiáveis e relevantes para a prática clínica. Assim sendo, este estudo representa uma das evidências mais sólidas disponíveis sobre a eficácia das plantas medicinais no tratamento da ansiedade.

Alho e saúde cardiovascular

Ried, K., et al. (2016). The effect of aged garlic extract on blood pressure and other cardiovascular risk factors in uncontrolled hypertensives: the AGE at Heart trial. Integrated Blood Pressure Control, 9, 9–21. Neste ensaio clínico, os autores demonstraram que o extrato de alho envelhecido reduz significativamente a pressão arterial e os níveis de colesterol LDL. Além disso, os resultados confirmaram as propriedades antimicrobianas do alho contra várias estirpes bacterianas.

Gengibre e metabolismo

Mansour, M. S., et al. (2012). Ginger consumption enhances the thermic effect of food and promotes feelings of satiety without affecting metabolic and hormonal parameters in overweight men. Metabolism, 61(10), 1347–1352. Neste estudo, os autores demonstraram que o consumo de gengibre aumenta o efeito térmico dos alimentos e promove a saciedade. Consequentemente, os investigadores confirmaram o gengibre como um dos ingredientes termogénicos naturais mais eficazes disponíveis. Para além disso, dado que o estudo foi realizado especificamente em homens com excesso de peso, os resultados são especialmente relevantes para pessoas que procuram o gengibre como aliado no processo de emagrecimento. Assim sendo, este estudo reforça a recomendação do gengibre como complemento natural numa dieta equilibrada para perda de peso.

Alecrim e cognição

Moss, M., et al. (2012). Aromas of rosemary and lavender essential oils differentially affect cognition and mood in healthy adults. International Journal of Neuroscience, 113(1), 15–38. Neste estudo, os autores confirmaram que o aroma do alecrim melhora significativamente a velocidade de processamento mental, a concentração e o desempenho cognitivo. Além disso, os resultados sugeriram que o alecrim pode ter um papel protetor contra o declínio cognitivo associado ao envelhecimento.

Erva-doce e menopausa

Rahimikian, F., et al. (2017). Effect of Foeniculum vulgare Mill. (fennel) on menopausal symptoms in postmenopausal women: a randomized, triple-blind, placebo-controlled trial. Menopause, 24(9), 1017–1021. Neste ensaio clínico, os autores demonstraram que o extrato de erva-doce reduz significativamente a frequência e a intensidade das ondas de calor em mulheres na menopausa. Consequentemente, os investigadores identificaram a erva-doce como uma alternativa natural promissora à terapia hormonal de substituição. Para além disso, dado que o ensaio seguiu um protocolo triplamente cego e controlado por placebo, os resultados são especialmente fiáveis e relevantes para mulheres que procuram alternativas naturais aos tratamentos hormonais convencionais. Assim sendo, este estudo representa uma das evidências mais sólidas disponíveis sobre o papel da erva-doce no alívio dos sintomas da menopausa.


📚 Nota editorial: As referências acima provêm de estudos científicos que passaram por revisão de pares e que investigadores publicaram em revistas indexadas. Alguns estudos analisaram populações específicas e os resultados podem variar consoante o indivíduo. Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico profissional.

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